Biografia: John Reed (1887 - 1920)

John Reed, poeta-aventureiro-revolucionário cuja curta mas intensa vida passou pela guerra civil no México, pela Primeira Guerra Mundial e pela Revolução bolchevique, era filho de uma próspera família do Oregon. Após deixar a Universidade de Harvard, passou a maior parte do ano de 1910 e viajar pela Europa, antes de, no ano seguinte, se fixar em Greenwich Village, Nova Iorque, para aí começar a sua actividade como jornalista. Tal como aconteceu com muito dos antigos colegas de Harvard, ganharia então uma reputação de boémio e de playboy, até que, pelos finais de 1912, conheceu o então novo jornal socialista Masses, dirigido por Max Eastman, e começou a escrever para ele. Em 1913 Reed colaborou na organização da primeira exposição cubista em Nova Iorque. No ano seguinte ajudou a organizar uma manifestação em Madison Square Garden, relacionada com a luta dos trabalhadores da indústria da seda de Paterson, New Jersey, sendo detido quando se preparava para discursar perante os grevistas. Neste mesmo ano acompanharia, ao longo de perto de quatro meses, as forças da guerrilha de Pancho Villa, durante a guerra civil do México: o produto escrito desta profunda experiência encontra-se em Insurgent México (México Insurrecto, de 1914), narrativa composta por fragmentos algo dispersos mas particularmente sentida, emocionada, que se tornou rapidamente popular entre um grande número de americanos de esquerda. Pelos finais do ano de 14, Reed seria enviado à Europa para fazer reportagem de guerra para o jornal Metropolitan, enviando então reportagens a partir da Alemanha, da Sérvia, da Roménia, da Bulgária e da Rússia. Em 1917, estava em Petrogrado, onde chegara justamente a tempo de assistir em directo à tomada do poder pelos bolcheviques. Apesar de na altura ainda saber muito pouco de russo, acompanhou de perto todos os acontecimentos da Revolução de Outubro, escrevendo então o famoso Ten Days That Shook The World (Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, 1919), primeiro relato detalhado da revolução a ser publicado no Ocidente. A forma como descreveu a actividade dos bolcheviques tornou-o popular na União Soviética, ainda que fosse então uma figura algo afastada dos círculos comunistas americanos. Após a sua expulsão do Partido Socialista, em Agosto de 1919, Reed participará na constituição do Partido Comunista do Trabalho, o qual viria a disputar com o Partido Comunista dos Estados Unidos o reconhecimento soviético. Viaja então até à Rússia, mas, durante o percurso, será detido na Finlândia: foi durante esta prisão que escreveu alguns contos e numerosos poemas. Já de novo na Rússia, será delegado ao Segundo Congresso da Internacional Comunista, no decorrer do qual defendeu vibrantemente que a organização internacional e solidária dos trabalhadores do mundo inteiro seria a única forma viável de levar a revolução até à América. Tendo contraído tifo durante esta estadia em Moscovo, acabaria por morrer aí, sendo sepultado na muralha do Kremlin.


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