Biografia: Patti Smith

Sob um ponto-de-vista não-ortodoxo, Patti Smith pode tachada como uma perfeita encarnação do ideário punk! Não só no que se refere ao estereótipo associado ao gênero, mas sim à ética no discurso contestatório inerente ao punk. Aos vinte e cinco anos de uma carreira discográfica iniciada com o emblemático álbum Horses - um marco filosófico na história do punk rock, ela ainda consegue angariar respaldo intelectual ao gênero, em razão da ponte que há tempos promove entre a vanguarda estética e a tradição iconoclasta e dionísica do rock'n'roll.
A grande fã de rock'n'roll que idolatrava Keith Richards, Jim Morrison e Bob Dylan da mesma forma que mitificava os poetas malditos Allen Ginsberg, William Burroughs e Jean Arthur Rimbaud é, ainda hoje, aos 53 anos de idade, o paradigma de um artista íntegro no corrompido e artificialmente frívolo cenário da cultura norte-americana. Panorama que avaliou numa perspectiva histórica em "Gung Ho", seu oitavo álbum. No novo trabalho, a cantora-poetisa reitera a imensa admiração e culto incondicional a que é agraciada desde suas primeiras apresentações em sarais de poesia até os dias de hoje, inclusive por expoentes do cenário pop-rock, tais como Bono Vox (U2), Michael Stipe (REM) e Sonic Youth. Aproveitando a ocasião, o Scream & Yell presta tributo a esta figura que incorpora à sua obra referências estéticas do melhor da arte feita no século XX, sempre partindo da perspectiva do apreciador que intertextualiza em seu trabalho as mais variadas manifestações artísticas. Da tradição à contestação, a biografia de Patti também é, por si só, uma elegia à ética e ao espírito empreendedor do qual se configuram as grandes obras. Ela acreditou incondicionalmente em sua lenda pessoal e lutou com entusiasmo até conseguir seus objetivos. Essa é uma das razões para que sua história seja fascinante. Inicialmente, sua motivação era injetar um pouco de energia revolucionária no universo da poesia, mas ela acabou fazendo mais que isso.


Voltar