Matérias: Desmistificando Preconceitos: Deficiência Mental

"Na Idade Média, os deficientes físicos e mentais eram freqüentemente vistos como possuídos pelo demônio e eram queimados como as bruxas".

Cerca de 600 milhões de pessoas portam alguma deficiência mental ou física no mundo.
Independente da deficiência ou como ela surgiu, muitas são discriminadas e banidas da sociedade.
Foi no século XX que começou a se definir a "deficiência" mental. Uma estatística intelectual que seria definida quando há dificuldades para a mesma média intelectual dita comum.
Aparentemente as pessoas portadoras que são "aceitas", são vistas com desconfiança, indiferença ou são esculachadas.
Uma pessoa com deficiência mental não tem um distúrbio daquilo que é tido como normalidade pelas pessoas, mas é apenas uma outra forma de ver o mundo e nele participar. Não é uma maneira deturpada. Apenas uma maneira em especial.
A deficiência não é um problema que faz com que a pessoa exerça dificuldade sobre o mundo, mas é apenas uma forma diferente de nele viver.
Porém o mundo não é feito unicamente dessa pessoa, e como ela, nós todos debaixo das aparências físicas não deixamos de ser seres humanos. Desvios que nos fazem separar e criar uma índole de superioridade não é mais que mediocridade.
Talvez não possamos entender o outro e seus meios, mas possamos respeitar. E respeito não é só deixar passar, deixar que o outro viver em seu lugar. Mas também denunciar a quem o julga com palavras e outros atos porque você escolheu respeitar.
A visão que um deficiente mental tem das coisas e pessoas e a forma com que ele assemelha e vive não pode ser igual a sua, mas procure refletir se todos têm a mesma visão das coisas.
O que um "bom dia" para você pode parecer conveniente, para um deficiente em algum caso pode não passar de algo que ele não sente ou se preocupa em fazer, entre outras conveniências feitas ou sentidas pelas outras pessoas.
Você pode não conhecer alguém que tenha alguma deficiência, mas pessoas estão ligadas em suas rotinas, não se esqueça de se manifestar para alguém que repassa uma mensagem preconceituosa. Não é simplesmente querer mudar, é retirar dessa enorme convicção de que possuir algum tipo de deficiência ou diversidade é motivo para piadas e discriminação.
Pode parecer besteira dizer isso enquanto se vê campanhas para integrar o portador à sociedade. Mas não apenas desses recursos e frases as pessoas vão se mobilizar. Levar a luta contra o preconceito nas suas atividades é essencial para o mínimo que seja.
É comprovado que integração ao meio social e a ajuda dos pais e da sociedade já ajudou, por exemplo, muitos casos em crianças e adultos autistas.
Viver às margens do outro, rejeitar pela aparência ou comportamento e expressar indiferença não são apenas atitudes que ajudam com que o outro seja excluído e sofra o preconceito, mas também "contribuem" para sua ignorância.
Colocar-se no lugar do outro é algo que pode ser difícil de fazer e impossível de ser sentido com as mesmas maneiras. Mas saber que o outro está lá em seu lugar e respeitar como você puder que o modo de vida dele não é como o seu, sem tachar, pode não ser como sentir a vida que ele sente e presencia, mas presenciar a si próprio notando que o que você vive não é outra conveniência do mundo.
Por ser uma área mais complexa (pois o que possui deficiência mental pode manifestar diferentes diagnósticos não só a um primeiro olhar) os tabus ainda permanecem. A conscientização, não mais que sobre diagnósticos e adaptações, deve ser absolutamente livre de qualquer manifestação de preconceito.
Todos iguais, olhares diferentes.


Texto feito para Fanzine Nada #01 (Outubro/2005) Por: Patrícia


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