Entrevista: Street Bulldogs
www.streetbulldogs.com
 Quando surgiu a banda? Quais integrantes já passaram e quais estão agora na banda?
A banda surgiu em Pindamonhangaba em 94, interior de São Paulo. Pelo Street já passou muita gente... Só o Léo é integrante original. Hoje a banda conta comigo (Guilherme), Zé, Koala e Fabrizio. Este fato de mudar de formação nunca nos incomodou, pois como o Street não é um trabalho, onde vc tem um chefe. Todo mundo toca porque gosta e se rolar stress e não for controlado, melhor sair. O importante para a banda é não parar de tocar e continuar cantando em inglês, sabendo de toda a dificuldade mercadologia da língua.

 Quais as principais influências da banda?
Social Distortion, Dag Nasty, Descendents, ALL, Avail, RFTC, Bouncing Souls e Dropkick Murphy’s - são as mais gerais que todo mundo gosta.
 Porque o nome street bulldogs?
Acho que todo mundo que tocou na banda gosta de cachorro. É quase um pré-requisito.

 Como vocês definem o estilo da banda?
A gente se define como uma banda hardcore. Mas nunca ligamos muito para esta baboseiras de rótulos ou estilos. Afinal, ser hardcore hoje é ser o que? Good Charlotte ? CPM 22?

 Fale um pouco sobre o novo album "Unlucky Days"
O Unlucky Days foi gravado no ano passado e daqui há 3 meses já será antigo (estaremos gravando o disco novo esta semama) . Brincadeiras a parte, com certeza este álbum deu uma nova direção para o Street, e nos deixou muito satisfeitos. Acho que o nosso sentimento é que estamos progredindo a cada álbum e isso é fundamental para manter a banda motivada.

 Previsões pra clipes?
Já saiu o clipe de "Spider" e ainda este mês deverá ser lançado o "We are the one".

 Eu sou de Piracicaba, e vocêss vão vim aqui para o "Monster Rock Festival", vai ser o maior festival já feito no interior paulista, alguma expectativa para o festival?
Vai ser no mímino engraçado, pois tocaremos com bandas amigas, tais como o Garage Fuzz e o Muzzarelas, além de encararmos uma platéia enorme onde grande parte acha que hardcore é CPM 22 apenas. Será uma boa oportunidade de mostrar o nosso som, numa infra estrutura digna de grandes festivais.

 O que vocês acham de fanzines??? vocês tem costume de ler?
Eu sou do tempo em que só existiam cartas e fanzines xerocados. Nada de sites na Internet, Messenger, etc.. Sempre li, porém se você me perguntar o nome de algum, só te daria um como referência: o Needle de BH. Hoje há milhares de fotologs, sites, porém acho que o espírito se foi. Há muita preza e pouco conteúdo realmente escrito por quem entende. Vejo resenhas muito mal escritas e com erros de português. Isso não passa no meu controle de qualidade. Fora que dificilmente alguém fala mal de um disco de uma banda da cena. Não vejo muita sinceridade.

 Em relação ao preconceito, tanto musical tanto racial, vocês acham que existe preconceito na cena independente? Como ele pode ser combatido?
Pô, sofremos um preconceito musical pois cantamos em inglês. Isso é completamente explícito e WE DON’T FUCKING CARE. Você vê bandas como o Blink 182, Korn, Red Hot, Foo Fighters, sei lá, zilhões de bandas que vendem muitos discos e são bem aceitos no mercado fonográfico brasileiro. Porém, se você é brasileiro e canta em inglês é quase como se vivesse numa ilha isolado do mundo de oportunidades em seu próprio país. A gente ficava puto com isso, mas já não é uma barreira. Cansamos de ouvir "para vocês virarem no Brasil, tem que cantar em português". Foda-se. Somos felizes assim e não temos chefes. Somos nossos próprios produtores, empresários, etc... Além disso, 99% das bandas que escutamos são em inglês e todas as nossas influências musicais são de bandas americanas e ingleses. Por isso, é natural que o inglês esteja presente.

 Desde quando vocês começaram a tocar, vocês já realizaram algum sonho que desejam conquistar? Quais outros objetivos que vocês querem alcançar??
No Brasil já realizamos todos os sonhos para uma banda que canta em inglês, pois tem muita gente que realmente gosta do nosso som e isso nos faz ter uma agenda cheia de shows pelo Brasil. Se pudéssemos sonhar ainda mais, gostaríamos de viver 100% de música e tocar fora do país. Sonho pelo qual estamos batalhando.

 Quais as maiores dificuldades que vocês já enfrentaram?
Ainda enfrentamos: a falta de profissionalismo dos produtores, equipamentos precários e os calotes financeiros. Isso tem melhorado, mas sempre aparece um que acaba tendo que pagar na marra. Afinal, isso é uma coisa que aprendemos: cobrar e não deixar nada barato para quem é caloteiro, pois muitas vezes o cara paga o dono da casa, os seguranças, e não paga a banda. Com o Street é "olho por olho, dente por dente". Acho que deu para entender, né?

 O que vocês acham da cena independente hoje no Brasil?
Existe cena? Claro que não. Nem circuito de lugares fixos para rock existe. Cada dia abre uma casa nova, fecha outra. O Hangar é quase um milagre, pois se houvesse um por capital, aí sim, poderíamos falar de cena. Além disso, tem muita gente oportunista, muita banda ruim que se acha, muitos clones de bandas que deram certo, porém sem o mesmo talento, mas ao mesmo tempo, quando vemos bandas e pessoas que estão nessa vida há muito tempo, como o Garage, o Dead Fish, Muzzarelas, etc... A gente vê que pelo menos as bandas mantém uma certa união e da vida, as amizades é o que levamos.

 O público de vocês é o mesmo desde que vcs começaram a tocar?
Não sei. Acho que estamos ganhando público a cada show, pois é no palco que a gente se garante e é nossa vitrine. Não temos muito apoio de mídia de massa, como TV e rádio. Às vezes rola, mas não é uma coisa que a gente consegue ter influência.

 Quais os projetos para o futuro? Alguma turnê prevista?
Estamos gravando o disco novo este mês. Após isso, vamos parar de tocar em Julho e em Agosto voltamos com força total, já como alguns shows marcados (até no Maranhão!!), o que para uma banda independente que canta em inglês é uma grande conquista.

 Mensagem para os fãs de street bulldogs:
Não maltrate os cachorros, eles são seus melhores amigos!!! Se você conhecer alguém que maltrate, denuncie ou já faça justiça com as próprias mãos.


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