Entrevistas: Carahter
Por Bruno Feijão Genaro

Pra começar, fale um pouco de como surgiu a banda, já houve alguma mudança na formação?
Bem, a banda começou em abril de 2001 e de lá pra cá, o que mais teve foram mudanças na formação (rs). Então, no inicio a banda tinha como vocal eu e um cara chamado Fábio. O Fábio saiu e entrou o Carlão. Com essa formação a banda gravou o "Intenso Desespero Sobre a Decadência Humana". No final de 2002, nosso baterista teve alguns problemas de saúde e o Gaba(ex Reffer) entrou em seu lugar. Com essa formação fizemos a tour sul americana e muitos shows. Depois o guitarrista Debarry saiu da banda para tentar a sorte na Amerikkka. O Diney entrou em seu lugar e com essa formação fizemos a tourne européia. Depois da tour, o Digo também saiu da banda e decidimos continuar levando com uma guitarra só(diney). Agora, o Diney também saiu e já estamos com um guitarrista novo, que será anunciado muito em breve. Como você pode ver dá uma novela.
Quais as principais influências do Carahter?
Nossas influências são muito variadas, pois todo mundo tem gostos bem diferentes. Mas como uma influência geral, acho que posso citar bandas como Neurosis, Isis, Converge, Today is the day, His Hero is Gone, From Ashes Rise, Sepultura, etc...
Os integrantes do Carahter são todos Straight-edges? Se não, vocês tem alguma ligação com algum movimento?
Não, 3 integrantes do Carahter são sXe's. Um não é. A gente sempre foi muito ligado a cena sxe, mas nunca nos deixamos limitar por esse rótulo, sempre quisemos atingir outras cenas e outros públicos também. Mas os integrantes que são sxe (eu incluído) levamos muito a sério a parada. Acho que é muito mais do que apenas um estilo de vida, e queremos levar isso pro tumulo com a gente.
Quais as novidades para o resto de 2005?
Então, como disse, em breve vamos anunciar o nosso novo membro. Estamos muito empolgados, pois esse guitarrista é o cara perfeito pra banda. Estamos em processo de composição e até o final do ano queremos estar em estúdio pra gravar o CD novo. As músicas já estão surgindo e estamos loucos pra gravar logo!
Pelo fato da banda ser de Belo Horizonte, há alguma dificuldade de divulgação ou até serem discriminados por causa disso?
Bem, no inicio a gente achava que havia um certo preconceito por não sermos de SP, mas acho que com o tempo isso foi acabando. É claro que fica um pouco mais difícil pra divulgar, já que uma grande parte do público hardcore está em SP ou no interior de SP. Mas acho que esse fato de sermos de outra cidade só nos deu mais vontade e garra pra fazermos todas as correrias direito.
Fale um pouco de como foi participar da gravação do DVD do Kool Metal Fest.
Então, fazia um bom tempo que estávamos em negociação para tocar no Kool Metal Fest, mas sempre acontecia algum imprevisto que melava tudo. Dessa vez deu tudo certo e houve a idéia do DVD. Achamos a iniciativa muito foda, pois acho que será o primeiro DVD do Brasil com bandas de hardcore/metal/underground. Esse tipo de iniciativa é muito bacana e acho que o DVD ficará bem bacana. Nós teremos 2 músicas no DVD, ainda não escolhemos as músicas que vão entrar. O show foi muito bom, então acho que vai ser muito foda..
Como você vê a cena sXe no Brasil?
Cara, tem seus pontos positivos e negativos. Acho que a cena sXe nunca esteve tão grande em termos de números, mas ao mesmo tempo falta um intercambio maior entre as cidades, tem acontecido poucos shows, devido a faltas de lugares decentes nas cidades e isso é um problema. Outro problema é a falta de zines, isso é muito ruim. Pois tem muita gente que vira sxe sem ter o mínimo de referencia e sem querer buscar informação. Sempre encarei sxe como uma ferramenta de luta, um jeito de encarar a vida e é triste ver que o sxe para alguns é apenas mais uma simples moda juvenil urbana.
Qual a razão da banda se chamar Carahter?
Bem, a gente queria um nome que fosse forte, que marcasse e que tivesse um significado legal. Botamos o H antes do T, para o nome não ter que ter acento e para ficar uma coisa bem própria da banda. Quanto ao significado, acho que caráter é uma coisa essencial, ainda mais hoje quando todos querem furar o seu olho a qualquer custo. Ter caráter e saber quem está ao seu lado é uma questão de sobrevivência nessa selva em que vivemos.
Quantos trabalhos a banda já lançou?
Lançamos apenas a demo e o CD, além de termos saído em algumas coletâneas. A demo foi gravada com pouco tempo de banda, mas gosto muito dela. Ela tem um espírito muito legal, bem cru. Foi completamente gravada ao vivo e contem algumas músicas que acabaram entrando no CD também. O CD"O Intenso Desespero Sobre a Decadência Humana" foi gravado em junho de 2002. Hoje eu acho que o CD poderia ser melhor. Mas acho que toda banda é assim com o seus lançamentos né? Mas enfim, o CD tem 9 músicas, encarte com as letras e traduções para o inglês. Mas acho que o bom do CD é seu clima intenso e negativo. Saímos com a música "Chama Alvi Negra" na coletânea da Galo Metal e com "Líder" na coletânea do zine americano Inside Front.
Em relação as letras da banda, quem as escreve e quais os temas abordados?
Eu as escrevo. Bem, no inicio tínhamos uma postura política mais direta. Ainda temos uma postura critica e política, mas agora estou escrevendo letras um pouco mais subjetivas. Além também de estar abordando alguns temas mais pessoais, acho que essa questão de letra reflete muito os momentos que estamos vivendo. As letras podem tanto ser um canal de protesto e informação como uma válvula de escape.
É verdade que o baterista da banda não usa pedal duplo? Como é ter uma banda que faz um som como o do Carahter passando o mesmo peso de como se tivesse pedal duplo?
(rs) É verdade sim. O Gaba, nosso baterista, tem uma certa birra com pedal duplo. Então ele se vira para manter o peso com um pedal só e ele tem conseguido um bom resultado. Acaba que fica sendo um diferencial e é bom que ele tem que se virar para fazer coisas mais criativas e pesadas ao mesmo tempo..
Qual foi o show mais marcante e qual foi o show que o Carahter deseja esquecer o mais rápido possível
Shows marcantes tiveram alguns, o libfest com o Terror foi bem intenso e emocionante. O show na Polonia, em Warsaw foi muito foda também. Inclusive tem um vídeo desse show que deve sair como bônus na reprensagem do nosso CD também. Teve um show no RJ com o Confronto há alguns anos que foi bem marcante também. O pior show é fácil de se lembrar. Foi em Effurt na Alemanha. Puta merda, que show horroroso! Todo mundo na banda errou e a gente tava com vontade de acabar com o show e se esconder debaixo da terra. Foi um show mto ruim!
Fale um pouco das turnês fora do Brasil.
Cara, foram 2 experiências maravilhosas que já fizeram essa vida de merda valer a pena. A turnê sul americana foi uma aventura. Nós mesmos marcamos os shows por e-mail e fomo com toda nossa coragem para o Chile e Argentina. Tomamos alguns canos , mas valeu muito a pena. Fizemos muitas amizades e divulgamos bem a banda. A tour da Europa foi algo mais bem planejado. Foi a melhor experiência da minha vida. Foram 33 shows em uns 13 países e não tem nada melhor do que estar na estrada e tocar todo santo dia. A gente se preparou muito para essa tour e deu pra divulgar bem a banda, além do que nada melhor do que conhecer aquelas cidades que você sempre ouviu falar e que nunca achou que iria conhecer na sua vida.
E como é a diferença de estrutura (tanto de som quanto de local) em relação ao Brasil?
Cara, a diferença é muita, mas muita mesmo. Lá todas as bandas tem o seu próprio equipamento de som, o que aqui é quase impossível. Então, nós tivemos que alugar uma parte da aparelhagem. As casas de show tem uma estrutura muito foda e as bandas são muito bem tratadas e respeitas. Há sempre algum lugar para as banda descansarem e a organização dos shows sempre fornece jantar e café da manha pras bandas. Nós tocamos muito também nos Squats, que são casas antigas, que foram abandonadas e depois ocupadas por punks. Elas funcionam como "centros culturais" e sempre tem shows de hardcore. Tocar nos Squats é muito foda porque vê que se as pessoas se organizarem as coisas dão certo. Mas é claro que as diferenças se dão muito também por causa das diferenças econômicas. A Europa é muito mais rica do que o Brasi,l né. Mas acho que aqui no Brasil falta um pouco de empenho nessa questão de respeito as bandas e a infra-estrutura dos shows. Mas creio que com o tempo está melhorando.
E o pessoal lá de fora, curtiu o som da banda, qual foi a reação deles?
A maioria do público curtiu sim. Tanto que na maioria dos shows a gente teve que tocar Bis (os caras ficavam gritando "one more song", rs). Acho que deu pra divulgar bastante a banda e também nós vendemos bastante CDs e camisetas.
E eles conhecem bastante bandas brasileiras?
Humm. Acho que está crescendo o numero de pessoas que conhecem as bandas brasileiras (fora Sepultura né). As bandas mais conhecidas lá são: Point of No Return, I shot Cyrus, Discarga e Confronto.
Deixe uma mensagem pra finalizar:
Obrigado Bruno pelo espaço! Como eu disse em uma resposta, os zines sao muito importantes para que a cena seja muito mais do que música. Quem quiser ouvir nossas mp3s pode ir pro www.myspace.com/carahter. Quem quiser baixar alguns videos do Carahter pode procurar no Soulseek o usuário Carahter, tenho alguns vídeos bacanas lá. No mais é isso, nos vemos no mosh!.


Contatos:
e-mail: carahter@hotmail.com
myspace: www.myspace.com/carahter

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