Entrevistas: Elder vocalista da banda Revolta civil
Por Bruno Feijão Genaro - Revisão por André Demente

Pra começar, fale sobre a trajetória do Revolta Civil, desde do inicio da banda até o atual momento.
Então Bruno, O Revolta Civil começou em julho de 2002, quando a banda dos caras (Luciano, Thiago e Raone), chamada "Art.5" acabou. A gente se conheceu pouco tempo antes, e eu já tinha ido em alguns ensaios, então quando a banda terminou, os caras me chamaram pra fazer uma banda com uma proposta mais agressiva e pesada, e o resultado foi essa barulhera toda (risos). Infelizmente no começo do ano o ex-baixista Thiago resolveu sair por divergências sonoras, então Júlio, que já havia ensaiado com a gente no começo da banda como segundo guitarrista, ocupou os baixos, e assim estamos e vamos... Eu, Élder nos gritos, Luciano na guitarra, Júlio no baixo, e Raone Gordo na batera.
Cite as principais influências da banda?
Cara, influências são milhares, desde HipHop até Death Metal. Creio que seja mais fácil falar de referências para o som da banda, que também é um verdadeiro liquidificador (risos), até porque cada um tem as suas principais. Creio que Ratos de Porão, Hatebreed, Disrupt, Pantera, Napalm Death, Brujeria, Sepultura, Endrah, Presto? e por aí vai, sintetizam o nosso som hoje. É quase que uma meta da banda estar sempre fazendo coisas novas, sem seguir o fácil caminho de fórmulas prontas para se fazer uma música. Eu brinco dizendo que, se fomos fazer uma descrição de bula de remédio, o som da gente é uma mistura química heterogênea de óxido-básico de carbono. É isso... pegamos nossas influencias de Crust, Grind, Thrash Metal e jogamos nas músicas de forma espontanea.
A banda carrega alguma bandeira ideológica?
Longe disso! E é até motivo pra confusão e despeito de muita gente de cabeça pequena em relação à banda. Eu falo por mim que faço a maioria das letras. As letras do Revolta Civil são pra mim mais uma terapia de descarga de coisas que considero errado, que um meio para impor ou mostrar o que é certo para o mundo. Eu simplesmente falo do mundo que EU vejo! O sentimento de revolta é isto! É o repúdio para com algo que se considera errado, puro de interesses ideológicos. Eu tenho minhas convicções (claro, sempre aptos a mudar quando assim achar necessário) e nunca foi minha idéia seguir o padrão que criaram para bandas de Hardcore, quanto ao conteúdo das letras. Eu falo o que achar necessário para mim, e se esta é uma denúncia ou a mulher amada, assim o falarei independente se gostem ou não. Se eu quisesse fazer o que agrada eu tava longe do hc e os demais estilos de música que fazem parte da nossa banda. Para te falar a verdade, eu sou completamente descrente de um mundo melhor para todos... creio que as revolução só acontece nos microorganismos da sociedade, em indivíduos isolados e não num meio tão massificador como nossa civilização moderna, além de não fazer sentido alguém que se julga admirador da individualidade, querer que o mundo pense como eu, e o que eu acredito ser certo. Enfim... minha ideologia é o amor, liberdade e individualidade.
A banda lançou a demo "Ad Majorem Dei Gloriam"(Para Maior Glória de Deus) apenas ou tem mais trabalhos gravados? Conte como foi produzida esta demo.
Então cara... Esta demo foi meio que precoce para a banda, mas deu um impulso filha da puta. Gravamos quando tínhamos apenas 4 meses de banda, e o resultado dela ficou acima do esperado, pois tava todo mundo aprendendo a tocar ainda. (risos) Com esta, conseguimos participar de compilações muito gratificantes para nóis, como a 36 Ensaios Anti-Imperialistas, da Peculio Discos do Boka (RDP), junto com bandas como o próprio Ratos de Porão, Mukeka Di Rato, Ação Direta, Life Is A Lie, entre várias outras bandas que são referencias fortes para nós. A demo tem uma gravação até razoável pro estilo e contém 5 músicas, que teve uma divulgação bem legal, não só aqui no NE, como até chegou à um pessoal de vários lugares do país. Aproveitando para falar do título, que normalmente perguntam (risos)... Isto é uma frase em latim que era citada sempre pela Inquisição da Igreja na Idade Média, antes de queimar na fogueira qualquer pessoa que eles julgavam hereges por causa qualquer crítica ou questionamento (as vezes até menos) referente a verdade da Igreja. Enfim... hoje olhamos para ela como algo que estava amadurecendo ainda, mas que teve um reconhecimento acima do esperado, sendo um degrau muito
importante para nós.

Percebi que vocês tem participado de grandes coletâneas e mega eventos, fale um pouco sobre isso.
É mais ou menos o que eu tava te falando... Acho que a sorte, junto com a correria claro, também ajudam e muito. Estávamos da forma certa, no lugar certo, na hora certa no começo da banda... e por isso as vezes vejo que fomos prematuros com essa demo, quando normalmente uma banda aqui no NE, demora 3 anos pra lançar uma demo, 5 anos para tocar num show legal e 10 para fazer um álbum. Tocamos em vários festivais legais, não só aqui em Recife, como em Natal/RN, Aracaju/SE, Gravatá/PE, juntos com bandas como Ação Direta, Sociedade Armada e os irmão do Ataque Periférico numa noite só, Mukeka Di Rato, Andralls etc... Quanto as compilações, foi legal também... geralmente compilação você tem que estar sempre ligado, esperando alguém divulgar que planeja compilação, e a correria em busca de contatos é primordial aí. O resto é esperar que o cara vai curtir o som, e jogar a banda no material, que para mim é a melhor maneira de divulgar uma banda em diversos lugares. Quem tiver propostas legais de compilações, estamos aí viu!? (risos).
Vocês estão finalizando o segundo CD, certo? Tem previsão pra lançamento? Fale um pouco sobre ele.
Pois é!!! Finalmente.. depois de quase 3 anos após termos gravado nossa primeira demo, estamos em fase final das gravações do novo material. Na verdade estamos gravando em torno de 15 músicas, e a idéia até então é selecioná-las para splits mundo a fora. Estamos preparando ainda para este ano um split fodasso com os "funkeiro" do Ataque Periférico, lá do Rio Janeiro (risos). Vai ser muito bom porque além de acharmos o som deles muito foda, os cara são irmão de sangue e álcool (risos!. Cara... sobre as músicas novas, para quem já nos viu ao vivo, sabe que não é exagero falar que vai rolar um certo choque por parte da galera que só conhece a banda pela demo (espero que um choque de forma positiva). Além de ter a evolução natural do tempo, estamos sempre mudando a forma de compor as músicas e influências. O som está com certeza mais rápido, agressivo e pesado, além de muito mais consistente que na demo. Nossas influências de grind e thrash metal hoje são bem maiores, e as músicas estão mais "preocupadas" e criativas... fugindo daquele lance de estrofe/refrão/estrofe/refrão. Não que não goste de músicas simples, longe de mim! Mas é do nosso interesse estar buscando se superar, sempre! Acho isso saudável para uma banda que quer durar mais que 5 anos de existência. Pois bem... em breve as músicas vão estar em CDs ou disponíveis na net e vocês que terão de julgar! (risos)
Como surgiu o nome Revolta Civil?
Cara... essa pergunta é foda! (risos!) Foi numa tarde ensolarada de um dia de semana qualquer, onde amigos procuravam um nome legal para uma banda de Hc pesadão, e que tivesse relação com nossas idéias... a "Revolta". Aí o Luciano jogou o civil na mesa, e a gente deixou ficar. No começo foi motivo de muita polêmica porque eu sempre quis o máximo de distância de clichês e espaços para rotularem a banda, e o nome abre espaço para isto. Chegamos até a mudar o nome por alguns dias, por outros problemas somados, mas aí mandamos um FODA-SE para quem falar a merda que for, e "Revolta Civil" ficou. Se formos discutir o sentido do nome, eu vou falar um monte de baboseira que num acredito em "revoltas" de massas, e sim exércitos seguindo uma vontade maior, mas aí o papo ficar chato (risos). Mas a revolta da qual falamos é uma revolta sem símbolos, como um sentimento individual de desabafo e repúdio.
É só você que escreve as letras? O que mais te inspira na hora de escreve-las?
Em geral sim... mas o Luciano também escreve umas letras às vezes. A inspiração é o que eu vejo, sinto e acredito, sem se limitar em algum assunto específico, sendo tudo o que penso e acho necessário. O falso moralismo do mundo, as mazelas, guerras, hipocrisia, as religiões e situações individuais... mas sempre com o desabafo. Não que seja regra, mas até o momento não acho nada interessante falar de romances ou viagens divertidas nas letras da banda (risos!), mas pode ficar tranqüilo que quando eu achar isso legal, eu vou fazer, claro, se o pessoal da banda achar legal também, né? (risos)
Quais as novidades, tirando o CD que está por sair, para este resto de ano e para o ano que vem?
Cara... a idéia é estar sempre produzindo algo novo. Além deste split com o Ataque Periférico, temos como projeto um 4 way com umas bandas legais daqui do NE, site novo, músicas novas, além de ser objetivo fazer uma tour muito em breve pelo sudeste. Já estamos projetando algo do tipo, mas num é tão simples. A distância entre NE e SP, por exemplo, é bem maior que a geográfica... é mais caro um intercambio entre as regiões que ir para Europa.. e isso é um absurdo! Mas estamos na luta! (risos). Além disto, vamos lutar para tentar lançar, quem sabe, um álbum para o próximo ano. E quem sabe 1º lugar no Disk MTV, e tocar no VMA's e Rock In Rio de 2006. (risos)
Pelo fato de vocês estarem longe do sudeste, já foram discriminados ou isso atrapalhou na evolução e divulgação da banda?

Pô... discriminação ainda não! Por incrível que pareça, rola até o contrário no meio underground. Pois há muita curiosidade e é dado muito valor do pessoal daí para com a cena do Nordeste. Mas COM CERTEZA é um obstáculo do caralho, essa distância do centro econômico, político, cultural e artístico do Brasil. A informação demora para chegar e circular por aqui... é nesta hora que a internet tem um papel fundamental. Aproxima de forma rápida e barata as duas regiões. Mas é sem dúvida, antes um malefício por diversos fatores que um benefício da curiosidade de alguns, esta distância ou até mais pela própria precariedade da cena na região.
Deixe uma mensagem pra finalizar:
Em primeiro lugar, valeu a oportunidade de falar um pouco mais do Revolta Civil, além das letras das músicas. Acho sempre muito foda usar os zines como meio de divulgar informações de forma independente. Parabéns Bruno, pelo ZineKaos, cada vez mais aprimorado, valeu todo mundo que teve paciência pra ler tanta merda junta numa só entrevista (risos). Correspondam por qualquer dúvida, interesse ou até trocar qualquer idéia pela amizade, antes de julgar ou falar qualquer coisa a respeito de algo ou alguém. E sempre produzam cultura... não sejam meros consumidores de informação! Isto sempre, além de amor, o ódio, verdade e força!!! Abraços!!



Contatos:
site: www.revoltacivil.kit.net
fotolog: www.fotolog.net/revoltacivil
e-mail: revoltacivilhc@yahoo.com.br

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