Entrevistas: Deeper Than That
Por Bruno Feijão Genaro - Revisão por André Demente

Pra começar, fale como e quando surgiu o Deeper Than That.
Marcel: O DTT surgiu em 99, a partir da junção de interesses comuns meus e do baterista Allan em fazer um estilo de música que gostávamos e sentíamos que seria verdadeiro e condizentes conosco. A partir daí recrutamos membros para a primeira formação, que durou até 2002, quando o guitarrista Guti e o vocalista Vinicius ingressaram na banda após inúmeras mudanças e problemas com a formação. Essa formação permanece até hoje e foi com ela que pudemos explorar e expandir as capacidades e metas da banda.
É correto dizer que o Unfaced e Children Of Gaia é que tem membros do Deeper Than That? Levando em conta que o DTT foi formado antes dessas duas bandas, e em todos lugares que se fala em DTT hoje o pessoal fala "é banda que tem os caras do Unfaced e Children Of Gaia".
Marcel: Ah, então, talvez seja porque o Children Of Gaia tenha "crescido" antes do que o DTT, porque a banda ficou com nome e hoje serve de referência.
Guti: Eu acho que é por aí, o Deeper só está "mostrando a cara" agora, enquanto o Children, apesar de mais novo, já está tocando, lançando seus álbuns há um tempo.
Quais as principais influências do DTT? Essas influências são as mesmas desde o inicio da banda?
Marcel: Enquanto banda podemos citar: Shai Hulud, Misery Signals, In Flames, Strongarm, Killswitch Engage, Unearth, Barrit, Catharsis, At The Gates, Caliban, Iron Maiden, dentre muitas. Porém cada um de nós ouve distintas músicas e estilos. As influências permanecem desde a concepção inicial da banda.
Guti: Acho que apesar das influências que temos em comum, o fato do pessoal da banda ter também seus gostos particulares no que diz respeito a música só enriquece o processo de composição etc.

Por qual motivo o CD da banda (tão aguardado) demorou tanto para ser lançado? Esse tempo todo foi de composições e ensaios?
Marcel: Inúmeras razões. Para começar as coisas no Brasil não são tão fáceis. Tudo tem um processo burocrático, um impedimento, na realidade tudo parece conspirar contra nós. Tivemos problemas com a fábrica, que demorou para prensar o CD, também o fato de gravarmos o CD em São Paulo fez com que as coisas se complicassem, porém, essa escolha foi muito consciente, devido ao fato de que buscávamos uma qualidade única na gravação, então além de ficar mais caro o CD demorou mais pra ser feito. Também os ensaios, composições demandaram um grande tempo de nossa parte, pois queríamos que tudo fosse executado da melhor maneira possível. A arte também foi minuciosamente feita, outro fator que contribuiu para a demora. Por fim sabíamos da demora mas aceitamos pois não queríamos lançar "mais um CD de harcore".
Confesso que eu e grande parte dos ouvintes deste CD, se surpreendeu com a qualidade tanto sonora, quanto da banda. Como muitos já disseram, é um dos melhores CD de metal/hardcore do Brasil. E agora, vocês estão trabalhando em quais projetos? Tour, shows, CD, clip?
Guti: Acredito que estamos trabalhando em tudo ao mesmo tempo. (rs) E ainda temos que conciliar com o trabalho, estudos etc, de cada integrante, né Marcel?!
Marcel: Estamos lentamente compondo novas canções para nosso segundo CD que pode ser um split ou outro full length, dessa vez queremos levar nossa música ao máximo que podemos fazer, isso inclui uma pré-produção provavelmente. Temos a idéia de fazer um tour pela Europa ano que vem, também tocar o máximo de shows possíveis. Clip? Estamos pensando. Isso demora, pois todos temos faculdade, trabalho, outras coisas fora do hardcore. Assim como o Guti já disse. E obrigado pelas palavras também, é muito bom ver o reconhecimento de anos de trabalho.

Vocês poderiam citar os melhores shows da carreira do DTT?
Guti: Nossa, na minha opinião, um show de hardcore é perfeito quando o público e banda estão na mesma empolgação, levando isso em conta o show do "sem treguá" na Der Bau, foi fodasso! E o show da tour 'Mosh or be moshed" em Ferraz também.
Marcel: Concordo com o Guti.
Guti: E teve o show de Jundiaí também, foi muito bom.
E quais as expectativas pra o Hopesfall?
Marcel: São as melhores, espero que a tour seja uma ponte para que a gente mostre nossa música e mensagem para as mais variadas e um grande número de pessoas.
Guti: Além disso que o Marcel citou, é sempre enriquecedor poder trocar experiências com bandas com mais bagagem na cena, é muito bom para banda evoluir nos aspectos e vão além da música.

E qual seria "a banda" que vocês tem desejo de acompanhar em um show?
Marcel: Misery Signals.
Guti: Nossa, essa é difícil, Shai Hulud, Killswitch Engage.

Há boatos de uma possível vinda do Killswitch Engage no próximo Liberation Fest, isso é só boato? Já se tem alguma banda definida?
Marcel: Só Boato mesmo.
Mudando um pouco de assunto, sobre as letras do DTT, quem as escreve e quais são os principais temas?
Marcel: Quem na maioria das vezes escreve as letras é o Marco. Algumas do CD tiveram a ajuda do vocalista Vinicius, do Guti e minha. As letras são críticas e escritas de maneira não convencional. Gostamos muito da maneira quase que poética que algumas letras foram escritas. São pensamentos, indagações, reflexões acerca de vários temáticas de nosso mundo contemporâneo, não são verdade absolutas, são letras que podem instigar o pensamento, e elas tem o seu sentido aberto, podendo ser interpretadas de maneiras diferentes.
O Unfaced eu não sei, mais o Children Of Gaia assumi uma postura Straight-Edge. E o DTT segue alguma postura/pensamento ideológico?
Marcel: Não. O Unfaced também não segue nenhuma postura fixa.
Guti: Cada integrante tem a sua maneira de encarar as coisas, mas acho que o que une os membros do Deeper não é só pelo aspecto musical, cada um do seu jeito, acredito que é comum o sentimento de descontentamento da condição humana. Cada um do seu modo, mas acredito que todos tentam buscar um meio de não fazer parte de uma massa homogenia, sem opinião própria, crenças e gostos pessoais.
Marcel: Sim. Cada um tem seu modo de recusar a humanidade e o homem.

Vocês disseram que o próximo lançamento do DTT pode ser um split. Vocês já têm idéia da banda que os acompanharia?
Marcel: Sim, idéia temos de algumas bandas, porém, nada pode ser dito até que confirmado.
Quem propôs o nome Deeper Than That? Fale um pouco sobre seu significado.
Marcel: Na verdade, o primeiro nome da banda foi Restrain The Weakness, depois após ninguem saber pronunciar, mudamos para Repel The Weakness, que também não melhorou muito, então escolhemos Deeper Than That, que era a 1ª opção na realidade, por simbolizar a proposta da banda, que "existe algo além disso", "há opções para além do lugar comum, das coisas medíocres".
Como vocês olham hoje a cena metal/hardcore brasileira (que vem crescendo), em relação ao exterior?
Marcel: Está melhorando, porém com relação ao exterior (europa/estados unidos) está apenas começando. Lá fora as coisas acontece muito facilmente, não há como comparar, as coisas já tomaram proporções gigantescas.
Guti: Acho que comparar a cena brasileira com a gringa demanda muito cuidado. Aqui as coisas são realmente muito difíceis para uma banda underground, desde comprar de equipamentos, o tempo de dedicação, estruturas para shows e lançamentos etc e olha que atualmente a coisa está realmente no caminho. Já lá fora a estrutura já está bem mais montada e, apesar de underground, as coisas rolam num esquema muito mais profissional. Os músicos tem acesso a equipamentos de qualidade, tempo para se dedicar, tudo está mais estruturado e outra, as coisas lá não se centralizam num pólo. Aqui no Brasil saindo do trecho do sudeste as coisas complicam ainda mais. Acredito por isso mesmo que as bandas brasileiras são realmente guerreiras.

Bom, gostaria de agradecer pela entrevista, também gostaria de dar os parabéns pelo ótimo trabalho do DTT e também pelo excelente CD (The Threat That From Within). Caso não tenham mais nada a dizer, deixem uma mensagem pra finalizar.
Guti: Antes de tudo, muito obrigado pelas palavras de apoio, é isso que, apesar das dificuldades, nos faz querer continuar e evoluir cada vez mais. Agradecemos a todos que acompanham nosso trampo, esse é nosso combustível, poder dividir tudo isso com vocês.
Marcel: É isso aí Guti, faço de minhas palavras as suas.



Contatos:

Site: www.deeperthanthat.net
mysapce: www.myspace.com/deeperthanthat

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