Bandas Novas: Entrevistas:  X-Cons (Argentina)

Por Bruno Feijão Genaro

Como surgiu a banda? Já houve mudanças na formação?

João Carneiro: A banda surgiu no inicio de 2005. Surgiu da vontade de tocar aquele tipo de punk-rock que sempre ouvimos e que nos influencia. Apesar de termos tido alguns percalços como mudanças na formação sempre mantivemos o espírito e a vontade de tocar ao vivo, que é aquilo que nos dá mais prazer fazer.
João Leite: A banda surgiu assim, comigo com o J.C. e o Nuno como uma necessidade emergente de pormos em prática o nosso gosto pelo Punk/Rock e por abrirmos algumas mentes que, devido a inexistência de "conteúdos" na música que ouvem ficam totalmente alienados dos problemas e sem compreenderem qual a verdadeira essência do Punk/ Hardcore. Qualquer estilo de música de intervenção, mostrar aquilo que realmente interessa e não vivermos constantemente de olhos vendados! De início tivemos o Ricardo no baixo, mas agora o João Santos é que ocupa esse lugar. Embora tenhamos já tenhamos mudado de elementos, o importante é que mantivemos o nosso espírito e a vontade de fazermos o que gostamos. Punk Rock!

Como se define o som e quais as principais influências?
João Leite: Penso que o nosso som se define um pouco por tudo o que ouvimos. Desde o Punk de 77, passando pela onda de Skate/Punk ou Hardcore Melódico dos Pennywise ou dos Bad Religion até mesmo a Screamo. Tudo aquilo que ouvimos e gostamos é sempre uma fonte de inspiração!
João Carneiro: O nosso som caracteriza-se precisamente dentro dessas linhas, e um tipo de punk-rock que se encontra mais nos anos 90, assim um pouco já perto do hardcore. Os fãs de bandas como pennywise, strike anywhere e outras bandas dentro desse gênero talvez sejam aqueles que apreciam mais o nosso tipo de som.
Quem escreve as letras e quais os principais temas abordados?
João Leite: Normalmente as letras são escritas por nós todos em conjunto para que cada um coloque o que pensa na letra e assim possamos escrever de uma forma cada vez melhor e explicar realmente aquilo que queremos dizer. Só raramente é que J.C. ou eu escrevemos algumas letras, mas que normalmente são revistas por todos.
João Carneiro: Quando temos uma idéia para uma musica, nem que seja apenas um riff de guitarra, reunimo-nos e começamos imediatamente a pensar na letra, como estamos todos juntos é mais fácil surgirem idéias e até algumas sugestões para melhorar certos aspectos na musica, gostamos de criar tudo em conjunto desde o inicio, mas como o João disse pontualmente eu ou ele fazemos uma letra que depois mostramos ao resto da banda para que façam sugestões e modificações. Os temas que normalmente abordamos tem a ver com a sociedade e aquilo que pensamos estar errado com a mesma, mas por vezes também abordamos temas pessoais que dizem respeito a experiência de cada um.

A banda já possui demo ou álbuns?
João Carneiro: De momento possuímos apenas uma demo visto sermos ainda uma banda relativamente recente. A demo intitula-se "when will they fall?" e foi gravada ainda com o nosso anterior baixista pouco tempo antes de ter saído da banda. Tem apenas 4 músicas mas é já um primeiro passo para que as pessoas nos possam ficar a conhecer, ao nosso som e aos nossos objetivos.
Como é ser uma banda independente no Brasil?
João Leite: Ser uma banda independente é sempre complicado seja em que pais for, mas é o que nos dá mais gozo e onde se encontram as raízes do Punk e como tudo começou. Por isso que para nós, embora seja extremamente complicado conseguirmos algo grandioso (que não é o que procuramos) adoramos a forma como trabalhamos e com muito suor chegarmos a um lugar que nos dê prazer olhar para trás. Tudo muito D.I.Y.. Mas como disse já o nosso objetivo é mesmo que as pessoas possam é abrir os olhos para a miséria de valores, para a corrupção que nos rodeia. Chega de andarmos com os olhos vendados!
João Carneiro: Sim de fato é muito complicado ser uma banda independente aqui em Portugal, os apoios não são muitos, mas a vontade de fazer música e o gosto pela mesma são mais que suficientes para continuarmos. Torna-se complicado fazer shows noutras cidades pois nem sempre recebemos dinheiro para poder pagar a viagem e muitas vezes temos de ir por conta própria, mas como já disse a vontade é muita e por isso não custa assim tanto, queremos apenas nos divertir e aproveitar também para passar a nossa mensagem
Comente um pouco sobre alguns shows que marcaram a história da banda.
João Carneiro: Tivemos alguns shows marcantes apesar da nossa curta existência, talvez o mais significativo tenha sido quando abrimos um concerto aqui no Porto no hard-club para uma das maiores bandas de Punk portuguesa que são os Mata-Ratos, mas lembro-me também de um show que demos em Esmoriz que também correu muito bem e foi de certa maneira marcante. Demos outros bons shows mas estes dois penso que são os que mais nos marcaram.
João Leite: Tal como o J.C. disse esses foram sem dúvida os mais marcantes porque tocamos para muita gente e que nos desconheciam por completo, por isso foi uma surpresa para eles e uma excelente oportunidade para nós. Agora é impossível esquecer todos os outros shows, tal como atravessar o país para tocar uma única noite e esse show com o Salsa no baixo. Dá bem para ver a vontade que temos de tocar!

Quais os projetos para 2006?
João Leite: Como todas as bandas todos nós queremos levar o nosso som ao maior número de pessoas possível e como tal fazermos uma valente tour quer aqui pela Europa ou quem sabe um dia darmos umas voltitas pelo mundo. No entanto, temos os pés bem assentes no chão e o nosso próximo passo será encontrar alguém que aposte em nós e que nos dê a oportunidade de gravar um álbum com boa qualidade, pois isso será o essencial para que a mensagem chegue a mais gente!
João Carneiro: Concordo plenamente com o João, claro que todos nos sonhamos com algo grandioso, mas sabemos ser muito complicado, no entanto se conseguíssemos gravar um bom álbum ou fazer uma tour pela Europa decerto que ficaríamos bastante satisfeitos e orgulhosos, mas também se isso não acontecer este esforço e dedicação não terá sido em vão..
Como tem sido a reação do público que assiste pela primeira vez a banda?
João Leite: Não podemos dizer que a reação tenha sido má. Antes pelo contrário! Embora na maior parte dos shows não esteja muita gente o importante é que estes gostam e percebem o que queremos transmitir. Preocupamo-nos imenso em criar uma boa empatia entre nós e o público para que não haja uma grande distância entre nós e eles... para que sejamos bem recebidos e que haja uma boa reação tem que começar da nossa parte. Certo?
João Carneiro: Eu diria que por vezes tem superado as expectativas, temos recebido bastantes mensagens de apoio o que é sempre bom. Claro que ainda não temos assim tanto "nome" como isso para enchermos todos os shows, mas nota-se que o público vai aderindo cada vez mais à medida que vamos tocando ao vivo..

Desde que a banda iniciou suas atividades o que mudou e o que piorou? Está mais fácil para divulgar o trabalho e ter um apoio?
João Carneiro: Eu sou sempre um pessimista e portanto vou dizer que está tudo na mesma, aqui em Portugal apesar de alguns aspectos terem melhorado, não se vê grande apoio às bandas independentes, mas enfim, há que lutar para tentar melhorar o máximo possível nesse aspecto algo que também depende das próprias bandas.
João Leite: Embora nos apeteça sempre dizer que as coisas vão melhorando e que as pessoas se empenham para que a "cena" ande para a frente, as coisas não são bem assim! Ainda há gente que pensa no Punk como algo puro e que serve para conscientização e intervenção e não para ser mais uma forma de capitalismo. Mas como temos vindo a observar tudo caminha no sentido oposto pois só "os meninos bonitos e riquinhos" é que têm apoio. Mas continuaremos a lutar para que as coisas mudem! Com a união entre as bandas, entre as pessoas que organizam os shows. Tudo pode mudar!

Deixe uma mensagem pra finalizar:
João Leite: Obrigadão Feijão pela entrevista e boa sorte para o teua e-zine e por ser ainda um meio puro neste movimento que permite às bandas divulgarem o seu trabalho! Obrigadão também aqueles que nos apoiam em Portugal e que trabalham diretamente conosco. Espero que curtam aí o nosso som no Brasil! Visitem: www.myspace.com/xconsmusic ou www.purevolume.com/xcons
João Carneiro: Quereremos ir ao Brasil tocar ajudem-nos!



Contatos:
e-mail: xconvicts@gmail.com
download das mp3: http://www.purevolume.com/xcons, http://www.myspace.com/xconsmusic  
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