Entrevistas:  Enciende

Por Bruno Feij„o Genaro

Pra começar fale um pouco de como e a onde surgiu a banda e as principais influências.

A banda se formou em agosto de 2004, por Franklin (guitarra), Fabio (baixo), Anselmo (bateria), Max (vocal) e eu (guitarra), inclusive fomos com esse line-up que gravamos o cd Mãos Adestradas Para Guerra. Em fevereiro de 2005 Max deixou a banda e eu assumi os vocais e quem assumiu a segunda guitarra foi um grande amigo nosso, Leandro. A gente começou com uma proposta de fundir metal e hardcore, mas hoje estamos mais livres e deixando as idéias fluírem. Nisso bandas como Shai Hulud, Boy Sets Fire, Helmet, Snapcase, Anthrax, Earth Crisis, Bad Brains e várias outras nos influenciam bastante.
Qual a proposta da banda?
Uma coisa que sempre ficou clara pra nós é que o Enciende não é uma prioridade da nossa vida, mas uma extensão dela. Existe uma espécie de fundamentalismo hardcoreano, que faz com que muita gente não admita que tem banda pra se divertir também. Preferimos ser sinceros e dizer que muito do Enciende consiste em fazer a música que gostamos, conhecer pessoas e compartilhar idéias e valores. Eu costumo pensar que o fato de termos letras com críticas contundentes em relação ao neo-imperialismo, por exemplo, não é uma senha para entrar no jogo chamado ‘cena hardcore’ e sim a expressão instintiva dos nossos pensamentos e posicionamentos sociais dentro de algo que nos diverte: música.
A banda tem pouco tempo na estrada, porém já tem um certo reconhecimento pelo público independente, como vocês conseguiram divulgar o nome em tão pouco tempo?
A internet sem sombra de dúvidas foi uma via que ajudou a difundir bastante o Enciende. Tive banda na primeira metade dos anos 90, e por mais que fosse bem legal o lance das fitas k-7 e cartas registradas, hoje a relação custo benefício que a net proporciona é absurdamente maior. E também procuramos tocar o máximo possível, dentro e fora do RJ, mesmo com a agenda apertada com trabalho e estudos. Esse esforço valeu a pena, mas em 2006 queremos estender mais a divulgação do nosso som e das nossas idéias.
Comente um pouco sobre a cena do Rio de Janeiro.
Em 2005 teve um sopro que deu uma reavivada na cena local com o surgimento de várias bandas, de regiões diferentes e dos mais diversos estilos dentro do hardcore. Creio que a coisa não vai mais pra frente por falta de apoio e incentivo mesmo, mas é inegável que a coisa aqui está caminhando. Nos próximos meses bandas como Fokismo (banda do fim dos anos 90 que voltou a ativa esse ano), Liberpensulo (revelação na linha metalcore europeu), Lastima (fusão insana de Morbid Angel com Cripple Bastards), Halé (ironia e sarcasmo ao extremo), Colegial (que faz um som melódico bem autêntico) e Ataque Periférico (que no segundo semestre estará fazendo sua 1ª tour européia) lançarão discos. Isso sem falar de bandas de cidades vizinhas como Frontal, Norte Cartel, No Cry Dance, Roots Of Pain que também estão em plena atividade tocando constantemente e fazendo um trampo excelente. Mesmo com a falta de espaços e outras limitações tem rolado shows freqüentemente e sempre bandas de outros estados e até estrangeiras (Ingegno e The Draft, recentemente) tem tocado por aqui. Por essa razão eu posso dizer que hoje o RJ tem uma cena bem expressiva.
O Rio é uma cidade grande, porque a cena não está tão unida quanto a de SP?
Eu vou ter que discordar um pouco de você nessa afirmação. Eu citei várias bandas na pergunta anterior e todas elas com propostas bem diferentes umas das outras e poderia adicionar mais algumas e dizer que todas já fizeram shows juntas e até cooperando na organização dos eventos, já que a inciativa DIY aqui sempre foi uma maneira pra ver a coisa acontecendo de verdade. É complicado comparar RJ com SP, porque mesmo aqui sendo grande, SP é bem maior e é berço da cultura punk/hardcore no Brasil. Acho que hoje a cena está mais unida do que nunca, os resultados dessa união ainda não são tão vistos externamente porque o contingente de bandas não é tão grande, mais como diz o Beto, guitarrista do SMH, que é outra banda muito ativa aqui na região “se existe uma panela, ela está sem tampa, é só entrar”!
Fale um poco de como foi participar dos eventos Metanoia Fest, Fastcore Fest e Liberation Fest?
Eu particularmente prefiro as gigs pequenas, sem palco até. Mas tocar em eventos maiores como esses, mas feitos por pessoas com fundamentação underground também é muito bom. O Metanoia foi coisa de louco, tinha uns 3000 metalheads hehehehe...Fastcore foi bacana porque pudemos tocar pela primeira vez em BH (estamos voltando lá em agosto) e não tinha um público segmentado. As duas edições do Libfest em que participamos foram boas pra ficarmos mais conhecidos entre um público maior de SP e poder fazer parte do histórico de um festival com a relevância que esse tem.
Como foi dividir palco com grandes bandas como Hopesfall, New Winds, Caliban e Most Precious Blood?
Foi muito bacana por serem bandas bem diferentes umas das outras. Eu aprecio muito o trabalho do Hopesfall e foi demais mesmo poder tocar com os caras. Mas pra mim a banda que mais valeu a pena ter tocado junto foi o New Winds de Portugal. Foi um dos shows mais honestos que pude assistir em minha vida, e firmamos uma amizade muito boa com os caras da banda, que são excelentes pessoas.
Como foi a repercussão de "Mãos Adestradas Para Guerra"?
Pra nós foi muito boa. A gente sempre o encarou de forma despretenciosa, só não chamamos de demo porque tivemos a cara de pau de encher com nove músicas hehehehe. Esse disco foi gravado quando a gente tinha apenas três meses de banda, não é uma gravação ‘pró’, foi prensado em cd-r, mas abriu muitas portas pra gente. O fato de na época termos firmado uma parceria com a Chain Recordings, selo do nosso irmão Victor que está morando em Londrina também ajudou bastante na divulgação. Até uma excelente crítica na revista Rock Brigade foi publicadae recentemente o disco foi indicado pra uma categoria na premiação da revista Dynamite.
Comente um pouco sobre o próximo álbum "A Posse Não Oferece Proteção" e os próximos planos da banda.
A Posse... foi gravado no final de 2005, e nele pudemos explorar mais idéias e experimentações, como uso de loops, sintetizadores e violões. Estamos muito satisfeitos com o resultado. A parte gráfica desenvolvida pela designer brasiliense Marcele Bona (www.thelonelyrose.com) merece destaque além da inclusão de uma faixa interativa com fotos, textos e um vídeo. No segundo semestre a gente quer toca no máximo de lugares possíveis pra promover o disco. Ao mesmo tempo a gente também já está compondo material novo, pensando numa próxima gravação assim que possível.
Como foi a parceria com a One Voice?
Desde o início do ano passado mantemos um contato muito legal com o Rodolfo e com bandas do selo como Paura e Fim do Silêncio. O convite surgiu de forma muito espontânea e devido ao bom relacionamento que já vínhamos desenvolvendo foi aceito de imediato. Nos identificamos muito com a proposta da One Voice e creio que essa parceria vai gerar ainda muitos frutos.
Bom, pra finalizar, deixe uma mensagem.
Obrigado Bruno e Zine Kaos por esse espaço aqui que gerou uma excelente oportunidade de expormos idéias e opiniões. Coisas como essas são pilares que mantém o hardcore vivo mesmo com um monte de besteiras que acontecem por aí. Se você que leu essa entrevista concordou ou discordou de alguns pontos e isso despertou o interesse de bater um papo, escreva pra gente > contato@enciendeonline.com. Se você ainda não conhece nosso trampo acesse www.enciendeonline.com. Valeu!


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