Entrevistas: Ratos de Porão

Por Bruno Feij„o Genaro

1) Bom, primeiramente gostaria de agradecer pela entrevista e pelo tempo cedido à nós. Sei que você (Boka - baterista) não é integrante da primeira formação do Ratos, mas fale um pouco de como surgiu o ratos, quando você entrou, as principais mudanças de formação e mudança de som também.
Bem, o RDP surgiu em 1981 na periferia de São Paulo, formado por Jão, Jaba e Betinho. Os caras só queriam fazer um barulho, mas naquela época era tudo precário. Depois de 2 anos gravaram o primeiro discos "Crucificados Pelo Sistema" já com o Gordo e com o Mingau na guitarra. Logo após o Jão saiu da batera e foi pra guitarra, o Espagueti entrou pra bateria e ficou nessa formação até minha entrada em 1991. Depois trocamos o baixista 3 vezes até chegar no que é hoje. O som passou de um hardcore punk influenciado pela cena finlandesa do começo dos 80 para o crossover praticado no meio dos 80 por várias bandas inglesas e americanas, depois veio uma fase bem thrash metal e outra de transição logo na minha entrada que a banda tinha muitas influências e as coisas estavam meio confusas... começamos a fazer um som mais brutal no fim dos 90 com influências de crust escandinavo e outras podreiras, agora voltamos a uma sonoridade um pouco mais crossover thrash oitentista.
2) A banda sofreu muito com a mudança do punkrock pro punkmetal (crossover). Hoje, ainda insistem nessa besteira de os chamarem de "Traídores do movimento punk"? Fale um pouco, como começou essa "fama".
Segundo o Gordo essa fama já começou no dia em que o Ratos disse que não tocava punk e sim harcore. Daí veio todo esse comentário, mas acho que hoje isso é minimo, fazemos o som que gostamos e não estamos presos a nada, sempre fomos uma banda musicalmente hardcore/metal e isso não mudou desde 1985.
3) Além da mudança de som pro crossover, o Ratos também é conhecido como "traídores do movimento" pelo fato do João Gordo (vocalista) trabalhar na MTV. Agora a banda entrou para a gravadora Deck Disk (RJ), que é a gravadora de grandes bandas, até mesmo de estilos totalmente diferentes. A crítica tem sido ainda maior? Estão chamando o Ratos de "vendido"?
O Gordo começou a trabalhar na MTV em 1996 simplesmente porque foi o que apareceu pra ele, não temos como viver da banda. Se ele trabalha na MTV, tem gente que trabalha na Wolkswagen, na Antartica, na Sony, na Padaria, na loja de discos, etc.. Agora como ele conduz isso é um problema pessoal dele. O Ratos esta no circuito de gravadoras maiores que podem fazer uma distribuição maior e arcar com orçamento de um disco de qualidade desde 1997 quando saiu o disco "Brasil" pela eldorado, agora quanto a críticas da maneira de como conduzimos a banda sempre vão existir, porém a gente sempre segue em frente, hoje em dia, muita gente que nos criticava a 10 anos atras não tem mais nada a ver com o hardcore, sendo assim ignoramos, fazemos todos tipos de shows desde buracos pra 100 pessoas até grandes festivais e isso se deve ao nome que banda tem, não escolhemos nosso publico se tem 100 pessoas, 50 ou 50 mil pra ver a gente, tocamos do mesmo jeito. Eu posso falar por mim, sempre tive um envolvimento com o hardcore desde minha primeira banda o Psychic Possessor em 1997. Nunca parei com isso, hoje eu tenho um selo, fazem 8 anos, toco em outra banda que é o I Shot Cyrus e o hardcore é minha vida. Respiro isso 100% do tempo.
4) Como foi que o Ratos foi parar em uma grande gravadora?
Como já disse foi na época da Eldorado, nesse periodo era muito custoso gravar um discos e distribuição não existia. Não sei muitos detalhes porque eu não estava na época.
5) O Ratos ainda é uma banda punk?
Depende do seu ponto de vista, cada um tem sua definição do que é ser punk. Eu não me considero punk e não tenho nenhum problema com isso. O punk nunca surgiu pra ser uma coisa dogmática e a história prova isso, ser punk é ser igual ao Sex Pistols ou igual ao Fugazi? Tem que ser igual ao Jello Biafra ou igual ao Wattie? Vai ser igual ao Ratos de Porão ou igual ao Deserdados? Cada um segue seu caminho, então agora sou eu quem pergunto: o que é ser punk?
6) Afinal, o punk morreu ou não morreu?
Acho que não, está mudando e reciclando constantemente.
7) Fale um pouco sobre o último álbum da banda, "Homem inimigo do homem", que na minha opinião está sensacional. Como tem sido a repercussão deste trabalho?
O pessoal tem gostado muito, fizemos um disco sincero que reflete o que estamos ouvindo que é thrash metal e crossover, hadcore e punk como sempre, ou seja, nossa essência, tem letras bem legais, é simples, direto e retro, mas ao mesmo tempo é trampado e inovador. Eu acho que ele ainda é relevante dentro da nossa discografia e na história do hardcore.
8) Cite algumas bandas que tem se destacado na cena nacional e internacional.
Aqui no Brasil eu gosto muito do Bananos e do Morte Asceta. Já bandas estrangeiras eu tenho curtido muito o Municipal Waste, Holier Than Thou ou Bones Brigade que são bandas que trouxeram o espirito do crossover de vola ao hardcore D.I.Y..
9) Bom Boka, além do Ratos você trampa no selo Pecúlio Discos, certo? Fale um pouco de como é o critério para seleção de lançamentos, você pega bandas que gosta ou que vende?
Eu trabalho com bandas que eu tenho amizade ou que me influenciaram de algum modo, seja por sua música ou atitude, a média de vendas dos meus lançamentos é de 1000 cópias cada, sendo assim não acredito que eu escolha uma banda pelas vendas, ultimamente recebo e-mails e cartas praticamente diárias de bandas que querem ter um disco pela Pecúlio, não estou procurando bandas novas pra lançar, como eu disse tenho uma maneira limitada de escolher um lançamento, outra coisa importante e que eu não posso lançar muitos discos em um ano, daí a fila fica grande, tenho recusado muita coisa que eu adoraria fazer.
10) Quais as novidades para este resto de ano para o Ratos e para o Pecúlio Discos?
O Ratos vai seguir tocando enquanto tivermos vontade para tal, não é comum fazermos planos; Já na Pecúlio estou lançando os cds do B.U.S.H., Bandanos, D.E.R., e um split do Presto? com O D.F.C. bem como o último album do Vitamin X que vai tocar no Brasil em novembro. Saiu este mês o Drop Dead que eu sou muito fã.
11) Cite alguns sites que merecem destaque na sua opinião?
Cara eu não sou muito de navegar, mas é sempre bom ver o site o Centro de Midia Independente, muitas informações que você não ve no jornal ou TV. O site da O.S.L. que é uma organização anarquista recém fomada em São Paulo, se você se liga em anarquismo ativo e combativo é uma boa conferir.
12) Quais são as cinco bandas que você mais tem ouvido ultimamente?
Bandanos, Hirax, Slayer, Sick Of It All, Government Issue.
13) Muitos dizem que sua entrada para o Ratos, só trouxe mais velocidade e peso à banda, isso é verdade?
Quem sou eu para dizer, talvez.
14) Estamos em tempo de eleições, cada voto é secreto... mas, qual o partido que você está mais satisfeito?
Eu não voto e tenho extrema antipatia por partidos e politicos profissionais.
15) Você é a favor do voto nulo?
Eu sou a favor de outro tipo de participação politica, para mim o sufrágio e a demoracia burguesa não tem como atender nossas necessidades.
16) Vou falar algumas palavras e você fala a primeira coisa que vem na sua cabeça:
Lula: pelego
Punk: liberdade e questionamento
Crossover: tudo de bom
Emo: irrelevante
Anarquia: um caminho para a sociedade ideal
Bush: me da nojo
Fresno: o que é isso ?
Internet: bom e ruim
Deus: irrelevante
Drogas: cada um é cada um
Paixão: hardcore
17) O Ratos foi considerado como uma das bandas mais junkies (drogada) dentro do punk e do rock brasileiro. Você é a favor da legalização da maconha? Apóia o uso das drogas?
Isso é uma lenda, já fomos muito loucos sim, eu hoje em dia sou careta, não uso mais nada, acho que não tem mais nada a ver comigo, hoje não somos mais uma banda junk. Eu sou a favor da legalização de todo o tipo de droga, pelo simples fato de que não é a proibição que vai fazer o uso diminuir e a proibição faz com que as dogras fiquem somente no mercado negro nas mãos da marginalidade em conluio com a policia e politicos, se as drogas fossem legalizadas não existiria nem PCC.
18) Vocês já tiveram várias (bota várias nisso) tous internacionais. Comente sobre as mais marcantes e qual será a próxima tour?
Não temos planos para uma próxima tour, pelo menos agora, estamos tocando mais nos fins de semana, já a tour mais marcante pra mim foi a maior que fizemos, cobrimos quase toda europa em 2 meses, tivemos shows alucinantes e foi um marco na história da banda sem dúvida, esta tour foi em 1998 na divulgação do caniceria tropical.
19) Fale como surgiu a idéia de gravar o "Feijoada Acidente" nacional e internacional.
Sempre tocamos muitos covers, daí estavamos sem compor e com muita vontade de fazer isso, foi assim que rolou.
20) É verdade que o "Onisciente Coletivo" teve uma versão em japones? Como foi isso?
Não é verdade... onde você ouviu sobre isso?
21) Bom, a entrevista já está bem extensa.. vou parando por aqui. Gostaria de agradecer novamente pelo tempo cedido e agora pra finalizar deixe uma mensagem para os fãs de ratos. Um forte abraço...
Também agradeço pelo espaço, e mando um salve pra todos os aliados do RDP Brasil afora, esperamos ver vocês nos shows em breve.


Site: www.ratos.com.br

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