Entrevistas:  Live By The Fist

Por: Bruno Feij„o Genaro

1) O LBTF tem pouco tempo de existência, porém nessa curta carreira já possui uma bagagem invejável. Fale um pouco de como surgiu a banda, se já houve mudança na formação e fatos marcantes destes 4 (certo?) anos de banda.
THIAGO: Sim, são quatro anos. Mudança na formação houve várias, mas cada integrante novo que entrou no LBTF fez a banda crescer um pouco mais, tanto musicalmente quanto no aspecto de amadurecimento. Por conta dessas mudanças ficamos calejados com certos aspectos de se ter uma banda, como não desistir e tentar levar adiante de qualquer jeito tudo aquilo que acreditamos. E por incrível que pareça tem dado certo. Temos agora um baterista que está com a gente a pouco tempo, o Daniel (que ainda é um excelente vocalista) e o Mário (que já teve outras bandas com alguns integrantes do LBTF) agora toca guitarra. Sobre a nossa bagagem, não acho que seja invejável. Bandas que se dedicam em cima de algo que é verdadeiro sempre têm inúmeras chances de ter seu trabalho reconhecido. E o que tentamos passar a todo momento, seja em shows ou em gravações, é nossa honestidade e simplicidade.
2) Como se define o som da banda e quais as principais influências?
THIAGO: Em primeiro lugar, acho que o termo "metalcore" não se aplica ao LBTF. Gostamos de ser uma banda de hardcore, com músicas rápidas e pesadas. Puro e simples hardcore. As influências são muitas. Uma vez a gente conversava que se cada cara da banda fosse querer uma banda de acordo com o seu gosto pessoal com certeza seria algo completamente diferente do som do LBTF. Em resumo todos escutamos todas as vertentes do punk/hardcore entre outros estilos, mas no LBTF queremos tocar hardcore
alternando partes rápidas e partes um poco mais lentas e pesadas.
3) O LBTF pode ser considerada uma banda Straight-edge/Vegan? Como é a cena (tanto musical, quanto ideológica) em Santos?
THIAGO: Straight Edge, sim, vegan, não. nem todos os membros da banda são vegan, mas gostamos de falar a respeito do direito dos animais em nossos shows. O Daniel, nosso baterista, faz parte de um coletivo militante de libertação animal, com pessoas só de Santos." O Sandro colabora com grupos de libertação animal do Rio de Janeiro e outros estados elaborando panfletos e flyers para manifestações de defesa aos animais". Acho que Santos segue mais ou menos o mesmo padrão de cena do resto do Brasil, tem seus altos e baixos, pessoas dedicadas a fazer as coisas acontecerem. Os shows tem ressurgido, uma coisa aqui e outra lá. Sempre tem gente que aparece e some e outras que continuam anos a fio, tocando o mesmo estilo de som e firme a suas idéias, Então acho que podemos considerar Santos como uma cena pequena, porém persistente.
4) A banda possui três vocalistas (!!!), coisa dificil de ver... Por que a necessidade de três vocais diferentes?
THIAGO: Oficialmente somos agora uma banda de dois vocalistas. Após a saída do Adalba, o último terceiro vocalista, resolvemos permanecer somente com dois, até pra não termos problema com o andamento da banda com aquele período de adaptação de um novo membro. No começo houve um certo receio de como seria ao vivo, mas a resposta foi a melhor possível e decidimos manter essa formação. Realmente, não há necessidade para três vocais diferentes, no começo a idéia de três vocalistas era pra colocarmos vários de nossos amigos na banda. De qualquer forma, os dois vocalistas que temos agora (Thiago e Sandro) possuem um estilo bem distinto um do outro, e com certeza isso se reflete na variedade das melodias vocais, dando uma certa identidade própria para a banda.
5) O LBTF possui uma demo, um full-lenght (No End In Sight) e participação na coletânea "Voices" da Liberation Records. Comente sobre esses trabalhos.
THIAGO: A demo é um xodó, aquele filho mais velho que a mãe mima até o dia que ele sai de casa, mas que quando vem visitar faz questão de fazer a comida preferida dele. Algumas músicas da demo tocamos até hoje em nossos shows, e com certeza vamos tocar até os nossos últimos dias de banda. Foi um material que abriu todas as portas que precisávamos e que pra nós será inesquecível. O nosso cd é o filho do meio, aquele que aprendeu amarrar o tênis sozinho e que sabe se virar sem a ajuda de ninguém. Em outras palavras, foi o nosso amadurecimento como pessoas enquanto parte de uma cena hardcore. Nos mostrou como é complicado o processo de gravar, compor e ainda tentar tocar o máximo de vezes possível, conciliando isso com nossos trabalhos, estudos e obrigações. Acho que pra todos foi uma experiência marcante. As músicas da Voices foram gravadas na mesma sessão da gravação do CD, e foi legal ter algumas de nossas músicas divulgadas por um selo diferente e num mesmo CD com outras boas bandas.
6) Por falar em Liberation, foi noticiado hoje (31/08/2006) que o selo não irá mais lançar bandas nacionais, devido ao fato de que "a cena" tem sido mais visual do que conteúdo, ou seja, o pessoal prefere comprar camisetas e acessários do que CD, não procuram conteúdo. A mp3 ajuda bandas como LBTF? O que vocês acham dessa nova geração que pensa mais no rótulo do que no conteúdo?
THIAGO: Acho que cada um procura pra si o que acha melhor. Algumas bandas perdem espaço, enquanto outras vão surgindo. Como eu disse acima, enquanto fizer algo verdadeiro sempre o seu espaço vai estar lá. Mas se o objetivo de uma banda é algo que está além da realidade do nosso país, então que sejam livres pra fazer o que quiserem. Eu estou satisfeito com o que tenho e ainda mais satisfeito com bandas novas que surgem. Não sei responder se o mp3 ajudou o LBTF, porque não temos uma contagem de pessoas que contam com esse formato de músicas nossas. Mas o cd não perde espaço pra isso. Quando vocé gosta de uma banda você quer ter aquilo como um souvenier. Todo mundo sabe que a venda de cds de bandas aqui no Brasil sai de maneira lenta e gradual, e acho que isso é parte da cultura da nossa cena. Isso teria que mudar? Não sei te responder, mas se você quiser viver de um selo ou de uma banda é melhor procurar outro lugar, mas não a cena hardcore.
FÁBIO: Essa questão da mp3 é complexa, tanto que até dentro da banda cada um tem uma opinião. Por exemplo, eu discordo da opinião do Thiago. Acho que o CD perdeu sim espaço para mp3, mas ao mesmo tempo a mp3 ajuda MUITO as bandas novas a ter seu som divulgado. Ou seja, ao mesmo tempo que a mp3 facilitou o trabalho de mostrar seu som, fez com que muita gente perdesse o hábito de comprar cd´s. Para uma gravadora grande que vai vender 800 mil cópias ao invés de 1 milhão, custando 25 reais cada cd, não tem problema. Agora para um selo pequeno que vai vender 100 cd´s a 12 reais, ao invés de 500, dá um puta impacto, porque não cobre nem metade do valor gasto nos cd´s. É caro para uma banda gravar um CD, é caro para um selo lançar e é caro para divulgá-lo.E não é nem questão do selo ter lucro, mas sim, pelo menos pagar seus gastos. Pode perguntar pra pessoas que tem selo pequenos (como eu e o Leonardo temos a Caustic Recordings), e todos vão te falar que estão vendendo MUITO menos cd´s do que alguns anos atrás. E o preço do CD subiu? Não! Fazem 10 anos que eles continuam praticamente o mesmo preço! Que outras coisas você conhece que, aqui no Brasil, continua com o mesmo preço por 10 anos? Veja que não estou aqui sendo contra a mp3, pelo contrário, foi uma coisa maravilhosa que inventaram. Realmente o pessoal tem procurado comprar mais camisetas, nos shows, geralmente o que acontece é vender 10 camisas pra cada 1 CD. Mas não sei é culpa de uma geração que não se preocupa com conteúdo. Hoje em dia é muito fácil conseguir informação na internet, então as vezes o cara absorve tudo de informação na internet, e chega no show ele compra a única coisa que falta, que são as camisas e acessórios. Não quero que também ninguém se sinta obrigado a comprar CD´s, mas, acho que apoiar as bandas nacionais (que normalmente vendem cd´s a preços bem justos) é uma forma de manter a cena viva, já que, além de todas as idéias inseridas no contexto punk/hardcore, a cena ainda gira em torno da música. Infelizmente o futuro dos selos nacionais é nebuloso mesmo, e você pode ver isso no exemplo que você citou da Liberation, que está tomando decisões drásticas devido a queda bruta de vendas. Pode ser também sinal dos tempos, como o vinil acabou, pode ser que esteja chegando o fim da era de CD´s e pode ser que algo em breve venha a substituí-lo.
7) Me recordo de ver vocês no Liberation Fest que o Caliban tocou, e realmente o show de vocês é pura quebradeira, o
circle-pit predomina. Fale sobre alguns shows marcantes da história da banda.
THIAGO: Essa última verdurada foi marcante, várias bandas legais do começo ao fim, o motivo do evento que era especial, os amigos que estavam lá, o clima do lugar, foi tudo perfeito, e ainda demos nosso máximo, dois amigos pessoais da banda participaram do show com a gente (Chehuan, do Confronto, e André, do Good Intentions e Live for This), e tudo isso se traduziu num show marcante e divertido do começo ao fim, só temos a agradecer. Um show que fizemos em Vila Velha ano passado também nos marcou muito. Foram 14 horas de viagem e quase tendo que chegar e tocar, mas o clima do show e os amigos que estavam lá, tanto na viagem quanto no show, compensaram de maneira ímpar. Tem os de Santos que sempre é mais que um show, é um rolê com os amigos, e a gente sempre dá muita risada. Os de São Paulo também sempre são ótimos, pelo fato de termos muitos amigos também e é uma cena que sempre apoiou muito o LBTF. Na verdade, acho que todos os shows são bons. Por conta do cd a gente pode tocar um pouco mais e conhecer mais pessoas, fazer novas amizades e mostrar o que fazemos e o que pensamos.
SANDRO: Concordo exatamente com os momentos marcantes já citados mas só gostaria de acrescentar uma coisa: Na minha opinião essa última verdurada ficará para sempre em minha memória e acredito que na de todos do LBTF. Foi uma verdurada extremamente bem elaborada com bandas bem diversificadas e com uma temática muito especial, uma verdurada com o tema VEGETARIANISMO. Sem palavras pra descrever a imensa responsabilidade de tocar após a apresentação de um video (Earthlings-terráqueos, quem tiver curiosidade e quizer saber mais sobre as realidades ocorridas com os animais seria ótimo correr atrás, tem no youtube o video dividido em partes ou entre em contato com a gente, pois temos cópias do vídeo) que mostra tantas realidades jamais vistas para muitos ali presentes e poder falar de coisas que para nós do LBTF são de extrema importância quanto os direitos dos animais... e após o show ter vindo tantas pessoas com comentarios positivos e demostrando grande interesse sobre as palavras que haviamos dito, isso é foda!. A cada vez que passo por momentos como esse sinto fortificar mais e mais os motivos que me fazem estar dentro do hardcore/punk/straight edge e fazer parte do LBTF.
8) O que vocês acham da cena sXe/Vegan brasileira? E mundial?
THIAGO: Eu acho ótimo. Se pararmos e pensarmos como era quando começou, há mais de uma década atrás, e que hoje existem Verduradas com lotação esgotada, é algo que até o mais otimista dos mortais nunca poderia imaginar. Grande parte da divulgação de veganismo e vegetarianismo que vivemos hoje teve uma consequência indireta da cena straight edge. Mesmo se existem alguns que entram nisso por moda, acabam alguns ficando.
FÁBIO: Quanto Brasil eu acho que a cena amadureceu bastante e mostrou que não era mais uma moda passageira, como diziam há 10 anos atrás. Acho que ela deixou de ser também algo separado para se integrar de vez a cena hardcore/punk. Claro que o sxe sempre fez parte do punk/hardcore, mas quando era algo novo aqui, acabava sendo meio deixado de lado e os próprios sxe´s acabaram criando algo separado, mas isso com o tempo foi acabando, ainda bem. Quanto a cena mundial acho que em cada país as pessoas acabam adaptando a idéia do sxe para sua realidade e isso faz com que você tenha abordagens diferentes em diferentes partes do mundo, mas de qualquer forma, também permanece presente lá fora, apesar de estar mais fraco do que nos anos 90.
SANDRO: O que eu estou achando mais surpreendente é que ao mesmo tempo que alguns só acabam por prestar atenção nas pessoas alienadas que entram em tudo simplesmente por moda e visual (coisa que sempre existiu), existe um pessoal dentro do Straight Edge/Veganismo/Vegetarianismo muito bem direcionado elaborando zines e selos, montando bandas com grande conteúdo e não só riffs, formando coletivos de libertação animal, organizando eventos "faça você mesmo", passando idéias legais e fortalecendo a cena ,expressando de forma consciênte sua revolta.
9) O que vocês tem mais ouvido ultimamente?
FÁBIO: Fica complicado por aqui o que todo mundo tem ouvido, ia ficar uma lista imensa de bandas! Mas com certeza ouvimos desde Reaggae até Death Metal, passando por todas as vertentes do punk/hardcore...
10) Jogo-rápido, vou falar algumas palavras e vocês dizem a primeira palavra que vem a cabeça:
Eleições: democracia rima com hipocrisia
Mosh: consequência
Punk: o começo, o meio e com certeza não o fim
NYHC: cena que nos deu grandes bandas
Esporte: futebol
Emo: cada um é cada um
Metalcore: rótulo
sXe/Vegan: idéia que adotamos/compromisso
DMS: crew de Nova Iorque
Brasil: Só quem tem dinheiro tem valor
Paixão: hardcore
Santos: ...till death!
Charlie Brown Jr.: são de Santos também, porra!
Mídia: use-a com sabedoria
Internet: use-a com sabedoria
11) Quais as novidades da banda para este resto de 2006? E para 2007?
THIAGO: Compor o máximo de coisas possíveis e gravar algo novo o mais rápido possível. Temos algumas músicas novas e estamos ansiosos para registrá-las.
12) Bom, é isso aí. Gostaria de agradecer ao tempo cedido, e elogiá-los pois é uma banda que admiro muito. Deixe uma mensagem para finalizar:
THIAGO: Muito obrigado pelo espaço no site e parabéns pelo trabalho feito! Conversem com a gente nos shows, adoramos saber o que você pensa, seja verdadeiro com o hardcore, seja real com o punk straight-edge, isso aqui não é um clube para vocé ficar um tempo, se divertir e ir embora. Isso é nossas vidas e merece respeito.


Contatos:
Site: www.xcausticx.com/livebythefist     
e-mail: livebythefist@xcausticx.com

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