Matérias: Exposição sobre Arte e Nazismo

Exposição em Nova Iorque mostra trabalhos de Peter Flinsch (75), artista homossexual alemão sobrevivente do holocausto, que foi líder do grupo "Chug Chaluzi". Este grupo foi pioneiro fez parte do movimento "Europe-wide Hechaluz", o qual era um movimento de resistência a Hitler durante a segunda guerra mundial, e que salvou e alimentou centenas de judeus. " LES IMAGES" mostra desenhos e pinturas do artista plástico além de exposições paralelas com trabalhos de artistas que fazem parte do acervo permanente da The Leslie Lohman Gay Art Foundation, e participam do lançamento do livro "TREASURES OF GAY ART". O livro de 180 páginas reúne, desenhos, fotografias, esculturas e pinturas em duas edições; uma simples ao preço de $40 dólares e uma edição de luxo por $200 dólares que acompanha duas fotografias assinadas pelo fotógrafo David Lesnick. O livro que comemora o cinquentenário da Fundação, e reúne obras selecionadas pelo renomado curador Peter Weiermair que vão de Jean Cocteau a Andy Warhol. Entre os artistas participantes está o escultor brasileiro Fernando Carpaneda (39) que mostra duas polêmicas esculturas em miniaturas, feitas em argila, que mostram skinheads tatuados com suásticas fazendo sexo com o artista.

Entre os artitas que fazem parte do livro "TREASURES OF GAY ART" e estão na exposicao da The Leslie Lohman Gay Art Foundation estão: Andy Warhol, Robert Mapplethorpe, Keith Haring, Tom Of Finland, Jean Cocteau, Neel Bate, Wilhelm Von Gloeden, Fernando Carpaneda, entre outros.

A exposição ficará em cartaz do dia 12 de setembro ao dia 21 de outubro, de terça a sábado, das 12 às 18 horas

Fernando Carpaneda faz esculturas hiper-realistas em tempos de arte calcada em conceitos e abstrações. É figurativo quando o momento é de muito discurso para dar sentido á obra. O artista não se incomoda com isso. Assume que suas intenções estão bem claras nas peças esculpidas em argila, fiéis aos modelos e quase descritivas, já que um texto sobre o retratado acompanha todas as figuras. "No exterior existe um movimento enorme direcionado para o que eu faço. É gente que quer este tipo de arte figurativa de volta. Não basta ter conceito, tem que ter talento", garante. "Não estourou ainda, mas vai ter um boom". Fernando é crítico quanto aos caminhos traçados pela arte contemporânea. Acha que ela se afastou do público e não consegue transmitir discursos de maneira explícita. Ficou homogeneizada por excesso de presença acadêmica e formatos legitimados". Não tem porque uma faculdade formar por ano milhões de pessoas com as mesmas idéias", ataca.

O artista cita vários movimentos empenhados em divulgar a arte underground gay e questionar a legitimidade da arte dita "oficial", egressa das universidades e validada em circuitos de galerias, museus e curadores.

Entre os mais conhecidos está o Art Renegades, do qual Fernando participa de uns anos para cá. No site (www.artrenegades.com), um manifesto revela: "Somos um grupo de artistas que rejeita o elitismo e a comercialização de obras que seguem padrões vigentes. Nossa meta é trazer à tona tendências underground da arte mundial e prover uma alternativa para o status quo".

Ninguém sabe ao certo quem alimenta e mantém o site e outros movimentos alternativos, mas Fernando conta que boatos levam a milionários norte-americanos, artistas e jornalistas. Além do viés artístico, a maioria investe na crítica à política norte americana. De uma dessas organizações saiu o artista Chris Savido, autor do polêmico retrato de George W. Bush. O rosto do presidente foi construído com dezenas de macaquinhos e exposto em painéis de intensa circulação em Nova Iorque, no final de 2004.

A arte de Fernando fala dos excluídos, pessoas que circulam por comunidades restritas e nem sempre encontram abertura e receptividade em outros meios. O recado pode parecer simplório e inocente, mas o artista pretende ensinar a igualdade entre os seres humanos. Por isso dá espaço a figuras marginalizadas. "E os museus estão de olho nisso", garante o artista. Os trabalhos de Tom of Finland, por exemplo, vêm sendo adquiridos por acervos importantes. O último foi o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA.

Sobre a exposicao: http://www.leslielohman.org/upcom.htm

Fernando Carpaneda no acervo:
http://www.leslielohman.org/newsletter/No17/recentacquisitions.htm

The Leslie/Lohman Gay Art Foundation
26 Wooster Street, Soho
New York, NY 10013



Texto enviado por: Juliana Mattos


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