Matérias: Geração Junkie

Estou fabricando minha própria cocaína,
Preciso agora apenas enrolar uma nota e aspirar
Descendo insípida e enchendo minha boca de saliva
O sabor que me corroi por dentro e dá uma batida no meu cérebro
Me faz levantar e olhar em volta
Percebo que sou algo aqui no meio dessa sarjeta
Dessa rua de único poste aceso
Dessa estação abandonada
Ao mesmo tempo que esse pedaço existe dopado não é nada,
Então dispenso todo o mundo a minha volta e desapareço
Não estou bem, não estou mal, estou nada e isso é tudo
Ninguém está chorando, ninguém me viu sentada ali
Levanta e anda que o mundo te espera,
Aí nele você vai poder se sentir suficientemente despreocupada,
Quer fuder, quer amar?
Veja os corpos tão presos e perdidos como o seu
A vagarem pela luz elétrica que ilumina a avenida,
Eis o subterfúgio onde todos se mostram e nada comentam
Tudo está perfeitamente bem quando a catástrofe é verdadeira
Não diga uma palavra se quer, cale-se e contemple
Os templos do século 21 e suas maravilhas prostituídas
Te mostrarão vícios, te farão buscar delírios, pagaram pelas suas drogas
E aqui estou eu enfiando pelas minhas narinas
Oxigênio em farinha para esperar que eu também não seja seguidora
O deus que me faz subir no meu próprio torno e quebrar a coroa
"Foda-se, tudo está perdido"
Ouro feito de latão, belos sapatos de tênis rasgado
Manto de jeans, coroa de vento
Tenho mais meia hora pra continuar gritando
Nesse patamar invisível e marginal
Até tudo de novo voltar
E vê-los tão decadentes quanto a mim
Em abstinência de vida
Qual é a sua cocaína?


Por: Patricia


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