Movimentos: Anarco-feminismo

Todos nós somos oprimidos e reprimidos pelo sistema em que vivemos. É para acabar com toda essa opressão que surgem os movimentos militantes. Porém, mesmo que essa ação seja em prol do bem comum, ainda sim há o preconceito e discriminação contra estes. Um dos movimentos que sofrem com isso é o movimento feminista. A causa da discriminação é, como sempre, a falta de informação, ou seja, a ignorância. O movimento feminista é um movimento que milita pela melhoria e extensão do papel e dos direitos da mulher na sociedade, e é graças aos militantes feministas (ou também, graças àqueles que lutaram e lutam mesmo sem ter consciência que são feministas) que muitas coisas já foram mudadas, muitos direitos já foram conquistados, muitos tabus quebrados... Ainda há objetivos a serem alcançados, mas conseguiremos se não desistirmos! Há também um outro movimento, que é menos conhecidos, mas não menos importante, que é o movimento anarco-feminista. A frase: "Numa palavra, rejeitamos toda legislação, toda autoridade e toda influência privilegiada, titulada, oficial e legal, mesmo emanada do sufrágio universal, convencido de que ela só poderia existir em proveito de uma minoria dominante e exploradora, contra os interesses da imensa maioria subjugada. Eis o sentido no qual somos realmente anarquistas." De Bakunin, expressa o que é o anarquismo independente de sua facção. Quando se fala em anarquismo dá-se a entender que se opõe a todo tipo uso do poder e opressão. Olhando por esse lado o termo “anarco-feminismo” parece ser desnecessário. Todos aqueles que se dizem anarquistas deveriam ser contra qualquer tipo de opressão, inclusive à opressão contra a mulher. Isso é apenas teoricamente. De qualquer forma somos todos produtos da sociedade em que vivemos. Também é fato que, aqueles que conseguem uma posição hierárquica no poder têm dificuldade de reconhecer que ainda existe uma hierarquia! A maioria dos homens não reconhece a opressão sobre a mulher da mesma maneira que esta o sente e vive (óbvio visto que os homens não passam por esse tipo de opressão, pois como já disse, somos todos oprimidos). Devido à essas razões muitos homens que são anarquistas não se engajam nessa luta contra a opressão ao sexo feminino e, por essas mesmas razões, as mulheres anarquistas sentiram necessidade de criarem o anarco-feminismo. O movimento feminista pode ser divido em duas facções, essencialista (divergência) ou construcionalista (igualdade). De um lado, as feministas essencialistas propõe que as diferenças entre homens e mulheres são baseadas na existência natural. De outro lado, as feministas construcionalistas propõe que as diferenças entre homens e mulheres são resultado da socialização social. Anarco-feministas são construcionalistas e acreditam que para mudarmos essa realidade é necessário que antes as pessoas mudem a si mesmas. Somos todos afetados e/ou mudados pela a sociedade em que vivemos, independente de sermos homens ou mulheres. Nessa perspectiva, essa socialização está relacionada à coisas como uma escolha profissional, roupas, ou opção sexual, raça, religião, etc. Á respeito da sexualidade, somos socializados com o heterossexualismo , e esse é um dos aspectos mais complexos do feminismo. A heterossexualidade é tida como a ordem natural das coisas enquanto a homossexualidade é tida como “anormal” na nossa sociedade. Feministas e anarco-feministas também lutam contra a repressão sexual, visto que nenhuma opção sexual é anormal, e visto que temos o direito de escolher o sexo com o qual queremos nos relacionar. Outro aspecto da nossa sociedade é o protótipo que é feito sobre beleza. Todos os dias nos deparamos (seja na TV, em cartazes, jornais...) com fotos e imagens de mulheres magríssimas, com cabelos brilhantes, maquiagens, vestindo roupas da moda, lindas, perfeitas. Mas o ideal de beleza exibido está longe de ser realidade. O resultado é centenas de mulheres insatisfeitas com sua própria aparência. Por causa disso, cresce diariamente o número de mulheres que fazem dietas doentias, não comem, ou sofrem de distúrbios alimentares (como a bulimia, anorexia...). E o pior é que isso está, inclusive, se tornando comum nos dias de hoje. Se quisermos mudar a sociedade temos que examinar nossas próprias vidas. Anarco-feministas tentam se livrar de regras e normas a que estamos expostas. Através do poder de nosso próprio exemplo, com uma estratégia consciente, nós, anarco-feministas, acreditamos que é possível mudar nossas vidas. Mas isso deve ser feito com uma força coletiva, porque sozinhas nunca conseguiremos (e nunca teríamos conseguido) nos libertar. O que fere a uma, fere a todas nós.
"[...] Nunca se submeta, questione sempre nesse mundo feito só para homens brancos e heterossexuais!"


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