Movimentos: Dadaísmo

Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que, se tivessem permanecido em seus respectivos países, teriam sido convocados para o serviço militar, o Dada foi um movimento de negação. Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra.
Fundaram um movimento literário e artístico para expressar suas decepções em relação a incapacidade da ciências, religião, filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tristan Tzara num dicionário alemão-francês. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil "cavalo de pau". Esse nome escolhido não fazia sentido, assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra.
Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e fosse apenas o resultado do automatismo psíquico, selecionado e combinando elementos por acaso.
Os dadaístas, procuravam ridicularizar e destruir todos os dogmas em vigor na pintura, na música e na poesia. Consideravam a guerra loucura e perversidade dos homens. Vários manifestos e reuniões turbulentas foram realizadas; pregavam a desordem, o absurdo, a incoerência. Esse fenômeno dos nos de guerra extinguiu-se com a assinatura do armistício, em 1920.

Características do dadaísmo
Trata-se de um movimento destruidor, de protesto.
Liberdade total de criação.
Abolição da lógica.
Linguagem totalmente inovadora.
Estilo antigramatical, com uso freqüente de interjeições.
" Arte não é coisa séria".
Não há necessidade de se fazer uma arte compreensível por todos, bastando que ela seja entendida por um grupo de iniciados.

Principais artistas
Marcel Duchamp (1887-1968), pintor e escultor francês, sua arte abriu caminho para movimentos como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. Reinterpretou o cubismo a sua maneira, interessando-se pelo movimento das formas.
O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias radicais em arte, antes do surgimento do grupo Dada (Zurique, 1916). Criou os ready-mades, objetos escolhidos ao acaso, e que, após leve intervenção e receberem um título, adquiriam a condição de objeto de arte.
Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de "Fonte". Depois fez interferências (pintou bigodes na Mona Lisa, para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional), inventou mecanismos ópticos.
François Picabia (1879-1953), pintor e escritor francês. Envolveu-se sucessivamente com os principais movimentos estéticos do início do século XX, como cubismo, surrealismo e dadaísmo. Colaborou com Tristan Tzara na revista Dada.
Suas primeiras pinturas cubistas, eram mais próximas de Léger do que de Picasso, são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas que se encaixam umas nas outras. Formas e cores tornaram-se a seguir mais discretas, até que por volta de 1916 o artista se concentrou nos engenhos mecânicos do dadaísmo, de índole satírica. Depois de 1927, abandonou a abstração pura que praticara por anos e criou pinturas baseadas na figura humana, com a superposição de formas lineares e transparentes.
Max Ernest (1891-1976), pintor alemão, Adepto do irracional e do onírico e do inconsciente, esteve envolvido em outros movimentos artísticos, criando técnicas em pintura e escultura. No Dadaísmo contribuiu com colagens e fotomontagens, composições que sugerem a múltipla identidade dos objetos por ele escolhidos para tema. Inventou técnicas como a decalcomania e o frottage, que consiste em aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rugosa, como a madeira de veios salientes, e esfregar um lápis de cor ou grafita, de modo que o papel adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele. O trecho a seguir apresenta uma síntese da arte poética dadaísta
Para fazer um poema dadaísta

Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha nesse jornal um artigo
com o tamanho que você conta
dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com cuidado cada uma
das palavras que formam o artigo e
coloque-as num saco.
Agite docemente.
Retire em seguida cada recorte,
um depois do outro.
Copie conscienciosamente
na ordem em que eles foram saindo do saco.
O poema lhe aparecerá.
E eis você infinitamente
original e de uma sensibilidade encantadora,
ainda que incompreendida do vulgo.

(TZARA, Tristan. Para fazer um poema dadaísta.)


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