Movimentos: Zapatistas

O EZLN é um grupo guerrilheiro formado basicamente por indígenas que lutam não só pela libertação de seu povo mas também pela libertação de todos os povos oprimidos em todo o mundo. Localizado em Chiapas no sul do México o EZLN possui características bem diferente das tradicionais guerrilhas que conhecemos que lutam pela tomada do poder e a instauração de um governo de caráter Marxista Leninista, o Exército zapatista muito pelo contrario fazem questão de frisar em seus manifestos de que eles não lutam pela tomada do poder , ao contrario eles o querem bem longe na verdade o que eles querem é a transformação social é a libertação dos povos indígenas e de toda a vida oprimida e sufocada por uma pequena parcela da população mundial.
O que o EZLN quer é simplesmente um mundo libertado de toda opressão e dominação, mundo este que fica bem claro nas suas reivindicações (trabalho, terra, habitação, comida, saúde, educação, independência, liberdade, democracia, justiça, paz, cultura, informação, segurança, combate a corrupção e respeito ao meio ambiente). Levante de 1994, com a voz, Sub-comandante Marcos
Nós, os zapatistas, queremos tudo para todos, para nós nada. Todos os que com arma ou sem arma, com rosto ou sem rosto, indígena ou não indígena tomam para si o nosso sonho de um país melhor, são zapatistas.
"É preciso abandonar o amor pela morte e a fascinação pelo martírio. O revolucionário Ama a Vida, sem temer a morte, e tenta fazer com que a vida, seja digna para todos os seres humanos. E se tiver que pagar com a vida, o fará sem dramas nem vacilações". (Exército Zapatista de libertação Nacional)
As Três Flores da Esperança (Sub-comandante Insurgente Marcos)
México, 18 de Maio de 1996.
A sociedade civil onde quer que se encontre.
Desculpe, senhora sociedade civil, que a distraia de suas múltiplas ocupações e reiteradas angústias. Escrevo-lhe apenas para dizer que aqui estamos, que continuamos sendo nós mesmos, que a resistência é ainda nossa bandeira e que ainda acreditamos na senhora. Aconteça o que acontecer, continuaremos acreditando. Porque a esperança, senhora de rosto difuso e nome gigante, já é um vício entre nós.
Vossa Excelência já sabe que o horizonte se cobre de um cinza que muda para o preto com a mesma celeridade com que andam vendendo nossa história. No entanto, fique sabendo que a liberdade continua estando à nossa frente, que continua sendo necessário lutar e que a história ainda está esperando quem complete suas páginas. Assim são as coisas, e receando que não nos vejamos de novo, aceite três definições muito apropriadas para dias tão nefastos como o que nos esperam: Liberdade: Diz Durito que a liberdade é como a manhã. Alguns a esperam dormindo, porém alguns acordam e caminham à noite para alcançá-la. Eu digo que os Zapatistas somos os viciados em insônia que desesperam a história.
Luta: O Velho Antonio dizia que a luta é como um círculo. Pode começar em qualquer ponto, mas nunca termina.
História: A história não é mais que garatujas escritas por homens e mulheres no solo do tempo. O poder escreve sua garatuja, a elogia como escrita sublime e a adora como se fosse a única verdade. O medíocre limita-se a ler as garatujas. O lutador passa o tempo todo preenchendo páginas. Os excluídos não sabem escrever... ainda. Aceite, senhora, estas três flores. As outras quatro chegarão logo... se é que chegam. Tudo bem. Saúde e lembre-se que a sabedoria consiste na arte de descobrir, atrás da dor, a esperança. Das montanhas do sudoeste mexicano, Subcomandante insurgente Marcos.
P.S.: Estava esquecendo de recomendar, senhora, que não se deixe enganar por funcionários, colunistas e etc que fazem da mentira um eco infinito. Nada está resolvido, tudo está quebrado. E, no essencial, existe duas apostas: a deles, a da guerra, é de que a senhora continuará indiferente; a nossa, a da paz, que a senhora vai dançar um sapateado que fará tudo tremer, assim como treme o amor quando é verdadeiro.


Voltar